(Santuários)

Meiji Jingū: o santuário do imperador e da imperatriz

Meiji Jingū em Shibuya: os kami consagrados, o juramento de 1868, o horário que muda com o mês e o museu com dois preços.

Nicholas Nishimura 9 min de leitura

Pintura em sumi-e de um torii vermelho entre árvores altas, num caminho de floresta.

Meiji Jingū publica, na página dos kami consagrados, uma frase curta: os kami do lugar são as almas do imperador Meiji e da imperatriz Shōken. A matéria de Tóquio já andou a floresta plantada, o portão e a corda entre os cânforas. Esta fica com o que essa floresta cerca: quem está ali, o texto que o santuário trata como virtude do reinado, o relógio que abre com o sol e o museu em que duas páginas do mesmo lugar não cobram o mesmo.

明治神宮

Meiji Jingū

O santuário de Shibuya. A página dos kami consagra o imperador Meiji e a imperatriz Shōken.

O endereço que as páginas de abertura e do museu imprimem é o mesmo: 1-1 Yoyogi Kamizono-chō, Shibuya, Tóquio, 151-8557. O telefone, 03-3379-5511, volta na página de perguntas como o número do achados e perdidos, em japonês, com a sugestão de procurar também um posto policial.

Quem está consagrado

Meiji, 1852–1912, é apresentado como o 122º imperador. A página acrescenta que o imperador atual é o 126º. A subida ao trono que ela data é 1867. O retrato político é o do próprio santuário: um país diante da abertura depois de um longo isolamento e do fim do xogunato Tokugawa. Meiji, diz o texto, tomou a iniciativa de promover a amizade com outros países e de introduzir civilização e técnica ocidentais, preservando o que a página chama de identidade japonesa, e assim lançou as bases do Japão moderno. É a leitura do lugar sobre o próprio kami. Não é um manual de história à parte.

Shōken, nessa mesma página, é 1850–1914, consorte de Meiji. O texto diz que ela apoiou o imperador fora da cena pública e se dedicou ao bem-estar nacional e à educação das mulheres. Também doou ao Comitê Internacional da Cruz Vermelha um fundo com o nome dela, o Empress Shoken Fund, que a página diz seguir em uso em atividades internacionais de bem-estar. A página da floresta, a mesma que a matéria de Tóquio usa para o plantio, imprime outro nascimento: 1849–1914. As duas páginas são do santuário. Esta matéria não escolhe um ano. Diz qual página imprimiu qual data.

As virtudes que o lugar atribui aos dois incluem feitos e textos: éditos e poemas. Os dois, diz a página, se destacaram no waka, o poema de 31 sílabas no padrão 5-7-5-7-7. O imperador teria composto cerca de 100 mil. A imperatriz, cerca de 30 mil. Os poemas expressariam sentimentos em relação ao mundo, ao país e às pessoas, e pensamentos éticos. O visitante pode tirar um poema entre 30 selecionados, com tradução e explicação em inglês, da caixa de omikuji junto ao santuário principal. A página chama a caixa de omikuji e o conteúdo de poema. Quem espera a sorte numerada de outro jinja encontra, aqui, um waka escolhido pelo lugar.

O juramento e o rescrito

Na Restauração Meiji, em 1868, o imperador proclamou o Juramento em Cinco Artigos diante dos kami, como diretriz para construir um Japão novo. A data que a página imprime é 14 de março de 1868. O santuário publica um texto inglês dos cinco artigos e um fecho em que o imperador se compromete diante das deidades. O miolo, na glosa da própria página, cabe em cinco ênfases: decisão por discussão ampla e mente pública; unir os corações para desenvolver o país; que cada um cumpra a vocação sem perder o ânimo de viver; abolir práticas velhas e danosas e assentar tudo em princípios universais; vitalizar o núcleo da nação juntando conhecimento do mundo e cuidando da cultura e da tradição em torno do imperador.

A página situa o juramento num país que se abria depois de mais de 200 anos de isolamento no período Edo, com influxo de cultura, pensamento e técnica ocidentais, e com um governo moderno centrado no imperador no lugar do sistema feudal do xogunato. “Mais de 200 anos” é a conta do santuário. O juramento, ainda na frase dele, tornou-se o fundamento do Japão moderno. Há um mural dessa proclamação no Kaigakan, dentro do Gaien. A página o indica como imagem. Não publica um ingresso desse mural nesta seção.

O Rescrito Imperial sobre a Educação é o outro texto que a página trata como virtude. Meiji, diz ela, se preocupava com um sistema nacional de educação e com a promoção da moral para construir o Japão moderno. O rescrito ilustraria os princípios morais que cada cidadão deveria seguir. A data impressa é o 30º dia do 10º mês do 23º ano Meiji. A página oferece uma tradução inglesa longa, de tom de súdito e de trono. Esta matéria não a copia. Guarda a data, o assunto que o santuário declara e o fato de que o texto está ali como documento do kami, não como lei vigente explicada por este portal.

Como a visita entra

A página do temizu e do sampai abre com uma frase de fé: o xintoísmo dá grande valor à pureza e à honestidade e, como fé, não tem dogma, doutrina nem fundador. O temizu é o ato simples de purificação antes do santuário principal. A água vem antes do salão. Lavam-se as mãos. Verte-se água nas duas mãos e enxagua-se a boca. Lavam-se as mãos de novo.

O sampai, no mapa do recinto marcado como outro ponto, tem quatro gestos. Pode-se pôr moedas na caixa de ofertas. Duas reverências. Duas palmas. Uma reverência outra vez. A moeda é facultativa na frase do lugar. As palmas não são as mãos juntas do templo budista. Do outro lado da cidade, o Sensō-ji pede outra frase e outro corpo. Os dois recebem gente em Tóquio. O gesto não viaja de um para o outro.

A página de perguntas responde o que o mapa não precisa repetir. Não há taxa de entrada no Meiji Jingū. Algumas instalações, como o museu no recinto, cobram. Só o santuário pede cerca de uma hora. Com o jardim interno e o museu, cerca de duas. Não há visita guiada oficial. Não há onde guardar mala no terreno. Há goshuin: um balcão perto do edifício principal, e também cadernos, os goshuinchō. Comer e beber só nas áreas designadas. Restaurante e loja de presentes aceitam cartão. O escritório de amuletos, o Kaguraden e o balcão do goshuin não aceitam. Há wi-fi no restaurante e nas lojas. De bicicleta, estaciona-se no lote junto à entrada, antes de entrar. A foto é permitida, com duas ressalvas: é proibida na frente do santuário principal onde as pessoas rezam, e pede-se que não se fotografe o escritório de amuletos. Vale a visita em qualquer estação, diz a página, e quem não é praticante pode entrar.

O torii e a shimenawa que a matéria de Tóquio já mediu continuam sendo a fronteira. Esta página não repete a altura do portão nem o ano da corda entre os cânforas. O ema, o omamori e o ofuda também já têm matéria. Aqui basta o que a página de perguntas acrescenta sobre o balcão: amuleto e goshuin não passam cartão, e a câmera se contém nesse balcão. O voto de madeira e o saquinho seguem as regras das matérias deles. O santuário não os transforma em obrigação da entrada. A entrada, no temizu, é água e, no sampai, reverência.

Horas, jardim e dois preços de museu

O santuário abre todos os dias do ano. Abre com o nascer do sol e fecha com o pôr, e por isso a tabela muda de mês a mês. A página de abertura e a página de visita imprimem os mesmos pares. Janeiro, 6h40 e 16h20. Fevereiro, 6h20 e 16h50. Março, 5h40 e 17h20. Abril, 5h10 e 17h50. Maio, 5h e 18h10. Junho, 5h e 18h30. Julho, 5h e 18h20. Agosto, 5h e 18h. Setembro, 5h20 e 17h20. Outubro, 5h40 e 16h40. Novembro, 6h10 e 16h10. Dezembro, 6h40 e 16h. A página de visita diz que o santuário é gratuito. A de perguntas repete: sem taxa de entrada, com cobrança em algumas instalações.

Lugares de dentro do Naien podem ter hora mais curta, em geral das 9h às 16h. A página de visita diz o mesmo das instalações internas, em geral das 9h às 16h. O relógio do portão não é o relógio do museu.

O jardim interno foi propriedade imperial, encomendado por Meiji em parte para Shōken. A contribuição para a manutenção é 500 ienes. A página de abertura chama essa entrada do Gyoen de 500 ienes. Os dois números concordam. O que a página do jardim nomeia, sem desenvolver cada canto numa história, é íris em junho, azaleia na primavera, o lago sul, o Kaku-un-tei, o poço de Kiyomasa, um coreto e bordos japoneses no fim do outono. O nome está na página. O minuto da flor não está, fora da estação que ela mesma escreve.

O museu é de 2019. O projeto é de Kuma Kengo, o mesmo arquiteto que a página liga ao Novo Estádio Nacional de Tóquio. A madeira pesa no desenho. As peças são objetos usados por Meiji e Shōken, ou associados a eles, em 3.200 metros quadrados, dois andares. O horário do museu é 10h às 16h30, última entrada às 16h, fechado às quintas. A entrada nessa página é 1.000 ienes para adultos e 900 para estudantes do ensino médio ou mais novos. A página de abertura, na linha do museu, imprime 500 ienes. As duas páginas estão no ar com os dois números. Esta matéria não faz a média. Quem vai paga o que o guichê daquele dia cobrar e pode ler as duas tabelas antes.

Há ainda o Museu do Tesouro, ao norte do recinto, designado bem cultural nacional em 2011. A página do museu novo o distingue do edifício de 2019. Não mistura o acervo nem o preço. O preço que falta nessa linha fica faltando.

A página de perguntas diz que o lugar vale em qualquer estação e que a vegetação faz esquecer que se está em Tóquio. Também aponta ritos ao longo do ano, numa outra página. Esta matéria não copia o calendário ritual que não foi a fonte lida aqui. Copia o que as sete páginas lidas de fato imprimem: duas pessoas consagradas, um juramento datado, um rescrito datado, um modo de lavar e de reverenciar, uma tabela solar, um jardim a 500 ienes e um museu em que a casa ainda não publicou uma tarifa só.

Quem chega da floresta contada na matéria de Tóquio já viu o verde. Quem chega desta página sabe de quem é o verde, que hora o portão fecha em dezembro, e que 500 ienes podem ser o jardim numa página e o museu noutra. O salão, ele mesmo, a página de perguntas entrega sem ingresso.

Fontes

Perguntas frequentes

Quem está consagrado no Meiji Jingū?

A página dos kami do santuário diz que são as almas do imperador Meiji e da imperatriz Shōken. Meiji, 1852–1912, é apresentado como o 122º imperador, no trono desde 1867. Shōken, nessa página, é 1850–1914. A página da floresta imprime 1849–1914 para ela.

Paga-se para entrar no santuário?

O santuário diz que o recinto em si não cobra entrada. O jardim interno pede 500 ienes de contribuição para a manutenção. O museu é o ponto em que as páginas divergem: a de abertura imprime 500 ienes, e a do museu imprime 1.000 para adultos e 900 para o ensino médio ou menos.

Qual é o horário?

Abre com o nascer do sol e fecha com o pôr, todos os dias, e a tabela muda de mês a mês. Em junho, a página marca 5h e 18h30. Em dezembro, 6h40 e 16h. Instalações de dentro costumam ter hora mais curta, em geral das 9h às 16h.

Dá para visitar sem ser praticante?

A página de perguntas diz que sim, e remete ao que o lugar chama de sentir o xintoísmo. Também diz que não há visita guiada oficial, que mala não se guarda no terreno e que a foto é permitida fora da frente do salão onde as pessoas rezam.