(Santuários)
Sensō-ji: o templo de Asakusa e a estátua fechada
Sensō-ji, em Asakusa, conta a estátua de 628, o salão refeito depois de 1945, os portões e um Setsubun sem a frase dos demônios.
Sensō-ji se apresenta, na própria página, como o templo mais antigo de Tóquio e como a casa de Kannon, Avalokiteśvara, Shō Kanzeon Bosatsu, aquele que encarna a misericórdia de todos os budas. Diz que esse centro de fé atrai 30 milhões de fiéis por ano, e mais adiante repete 30 milhões de visitantes. O número é o do templo. A matéria de Tóquio lê a cidade entre este terreiro e a floresta de Meiji. Esta fica no endereço: 2-3-1 Asakusa, Taitō, Tóquio. O nome de montanha é Kinryūzan Sensō-ji. A seita, na ficha do lugar, é Shō Kannon, e o templo se diz principal dela.
浅草寺
Sensō-ji
Quem chega pela lanterna vermelha vê portão, loja e pagode. O culto está no salão, e o salão guarda uma estátua que a página manda não esperar ver.
A rede no Sumida
A história que o templo publica começa cedo, de manhã, em 18 de março de 628, quando a capital do Japão estava em Asuka, na região que hoje é parte de Nara. Os irmãos Hinokuma Hamanari e Takenari pescavam no rio Sumida. A rede trouxe uma estátua. Haji no Nakatomo, chefe da aldeia que viria a ser Asakusa, reconheceu Avalokiteśvara, Kannon no nome comum, dedicou-se ao budismo, fez da casa um templo e passou o resto da vida em culto e em memoriais a essa Kannon.
Em 645 um monge chamado Shōkai chegou à região e construiu um salão. Um sonho lhe pediu que escondesse a estátua. Desde então, diz a página, ela nunca foi mostrada. Asakusa, nesse relato, era uma aldeia de pesca num estuário da baía, no mato de Musashino. Cresceu porque gente vinha adorar. No meio do século IX, Ennin (794–864), sacerdote principal do Enryaku-ji, o templo-chefe da escola Tendai, visitou o Sensō-ji e esculpiu uma estátua idêntica à principal, para que alguma imagem pudesse, raramente, ser vista. A página a chama de hibutsu absoluto no trecho da visita de Ennin, e mais adiante separa as duas peças: a principal não se abre; a divulgada é a de Ennin.
No período Kamakura (1185–1333) os xoguns mostraram grande devoção. Outros nomes, militares e letrados, seguiram. Em 1590 Tokugawa Ieyasu, o primeiro xogum Tokugawa, designou o Sensō-ji como templo das preces do xogunato. Os xoguns seguintes o visitaram muitas vezes, e a página diz que a crença em Kannon se espalhou entre a gente comum no período Edo (1603–1867). O templo acrescenta que, do fim do século XVIII ao XIX, a cidade de Edo se tornou a de maior população do mundo. Essa frase é um superlativo da própria página, sem a conta que a sustentaria. Esta matéria não a usa como fato. Usa o que vem em seguida e cabe no terreiro: Asakusa como centro de cultura de Edo, e, nos tempos modernos, de teatro, cinema, música e variedades.
A página em inglês conta essa sequência. O templo publica a mesma linha numa tabela à parte, a cronologia abreviada. Ali estão 18 de março de 628, os irmãos e a rede; 645, Shōkai e a imagem fechada no zushi; 857, a vinda de Ennin, o ano que o texto em inglês deixa no meio do século IX; 10 de março de 1945, a perda do salão, do Niōmon e do pagode; 17 de outubro de 1958, o salão novo; 1º de maio de 1960, o Kaminarimon, noventa e cinco anos depois do incêndio da era Keiō. Os anos que o inglês narra são os da tabela. O dia do mês, quando a tabela o imprime, fica com ela.
A estátua que fica fechada
A imagem principal é Avalokiteśvara, descrita como a mais compassiva, a que alivia o sofrimento e responde às preces. A página lembra que Kannon muda de forma: Juichimen, de onze faces; Senju, de mil braços; Nyoirin, com a joia que concede o desejo e a roda do darma. Todas, diz o texto, se apoiam na forma de uma face e duas mãos.
No salão principal há duas caligrafias de Noguchi Sekko, um dos três grandes calígrafos do fim do período Edo, por volta de 1800, penduradas de cada lado de uma grande caixa de oferendas. As palavras vêm do Hanjusan, de Shandao, escritor da escola da Terra Pura na China da dinastia Tang. O templo as lê como a mente compassiva desse Kannon, que trata toda a gente por igual.
Desde que Shōkai decidiu esconder a estátua, em 645, ela está num zushi, um templo em miniatura, com fechaduras múltiplas que impedem até os sacerdotes-chefes de vê-la. Para rezar no salão, o templo pede as mãos juntas, na posição budista, e o canto Namu Kanzeon Bosatsu, que a própria página traduz como confiar em Kannon. Não há duas palmas. O torii é o portão do jinja. O portão daqui é outra arquitetura, com outros guardiões.
O ofuda e o omamori são objetos de santuário. No Sensō-ji a página fala em selo escarlate, o goshuin, no Yogodo, e em prece diante do salão. Levar um amuleto de jinja para “completar” a visita é misturar duas casas. Cada uma publica o que entrega.
O que o fogo levou e o que voltou
O salão principal, o Kannondō, foi construído pelo terceiro xogum, Tokugawa Iemitsu, e era tesouro nacional. O ataque aéreo de Tóquio, em 10 de março de 1945, o destruiu. A reconstrução, com doações de fiéis de todo o país, é de 1958. A página destaca o telhado de inclinação forte, alto em comparação com o de outros templos. O salão se divide em naijin, o santuário interno, e gejin, o externo. Kannon está no templo em miniatura no meio do naijin.
O pagode de cinco andares foi erguido primeiro em 942, pelo comandante Taira no Kinmasa. Iemitsu o refez quando ainda era tesouro nacional. Também queimou em 10 de março de 1945. Voltou em 1973, de novo com doações. A página diz que cinzas do Buda, busshari, foram dadas pelo templo real do Sri Lanka.
O Kaminarimon, também chamado Furaijinmon, é o portão principal, de origem igualmente em 942, por Taira no Kinmasa. Fujin, do vento, e Raijin, do trovão, foram ali colocados para guardar o templo de desastres naturais. Um grande incêndio em Tawaramachi, em dezembro de 1865, queimou o portão. Noventa e cinco anos depois, em 1960, o portão atual foi refeito com doação de Konosuke Matsushita, fundador da Matsushita Electric, hoje Panasonic. A conta dos noventa e cinco anos é a da página.
O Hōzōmon, chamado também Niōmon, tem a mesma origem de 942. Iemitsu fez instalar um portão novo em 1649. O atual é de 1964, doação de Yonetaro Otani, fundador da Otani Heavy Industries e do Hotel New Otani.
O Nitenmon é bem cultural importante. Foi construído em 1618 para proteger o Tōshō-gū que ficava no recinto. O portão atual é de 1649, como portão leste. Em 2010, diz a página, voltou ao estado original depois de reformas repetidas. Zōchōten e Jikokuten ficam à esquerda e à direita. Nitenmon quer dizer o portão dos dois ten.
O Awashimadō foi construído no período Genroku (1688–1704) para consagrar Awashima Myōjin, transferida do santuário-mãe em Kada, Wakayama. No centro está Amitabha, com Awashima Myōjin e Kokūzō Bosatsu aos lados. Depois da guerra o salão serviu, temporariamente, de salão principal. Foi mudado para o lugar atual e renovado em 1994.
O Yogodō guarda oito budas que seguem Kannon, o grupo chamado Yōgōshū. Cada um protege um ou dois animais do zodíaco chinês, e por isso, diz a página, protege quem nasceu no ano desse animal. O selo escarlate se recebe ali.
O Denbōin reúne a sala de hóspedes, a entrada, os shoin e os aposentos do sacerdote principal. O jardim, fechado ao público, é sítio nacional de beleza cênica. A página diz que se pensa ter sido feito por Enshū Kobori no começo do período Edo (1603–1868). “Pensa-se” fica na frase.
O Bentendō abriga Sarasvati, Benzaiten, de cabelos grisalhos, apresentada como uma das três estátuas proeminentes de Benten na região de Kantō. O sino foi refundido em 1692 por ordem de Tokugawa Tsunayoshi. Os moradores o chamavam de sino das horas. A página o liga a um haicai de Matsuo Bashō, que em inglês o templo verte como uma nuvem de flores e a pergunta se o sino é o de Ueno ou o de Asakusa. A tradução publicada é essa. Não é uma edição crítica do poema.
A Nakamise é descrita como uma das ruas comerciais mais antigas do Japão. Brinquedos, doces, lembranças. Comprar na rua não é o culto. É a rua que a página coloca no mapa da visita, entre os portões.
O ano no terreiro
O calendário que o templo publica não é o das cerejeiras. Hatsumōde, a primeira visita do ano, vai de 1 a 7 de janeiro, por segurança, saúde e colheita. O Setsubun, por volta de 3 de fevereiro, celebra a primavera lançando soja para afastar o mal e trazer sorte. A frase muda, e a página explica por quê: como não há demônios perto de Kannon, não se diz o tradicional “fora, demônios”. Diz-se vida longa e boa fortuna. A matéria do oni guarda o grito que outros lugares usam. Aqui o dono do terreiro publica outro.
Em 18 de março, o Honzon Jigen-e marca o aparecimento de Kannon em 628. Em 8 de abril, o Hana Matsuri celebra o aniversário do Buda. A página diz que no Japão se borrifa chá de hortênsia sobre a estátua. Isso não é hanami. O piquenique debaixo da flor é outra data e outra prática, escrita na matéria de sakura.
Em 9 e 10 de julho, o Shiman-rokusen-nichi: a página diz que as preces desses dois dias valem 46 mil vezes as de outros dias. O período também é a feira de hōzuki, a lanterna-chinesa em vaso, nas barracas do recinto. De 17 a 19 de dezembro, o Osame-no-Kannon é a última festa do ano, com a feira de hagoita, as raquetes, junto dos salões e dos portões.
O calendário em inglês lista o rito. A página japonesa do ano litúrgico repete os nomes que importam aqui: em 18 de março, o aparecimento da imagem; em 8 de abril, a festa do nascimento do Buda; em 9 e 10 de julho, os 46 mil dias e a feira da lanterna-chinesa; em 18 de dezembro, a última festa, com a feira de raquetes em 17, 18 e 19. O Setsubun, nessa grade, entra em fevereiro sem um dia numerado. A frase “por volta de 3 de fevereiro” é a da página em inglês. O rodapé dessas páginas japonesas publica o horário do salão principal: das 6h às 17h, e de outubro a março a abertura às 6h30. Os outros salões, diz o mesmo rodapé, pedem consulta. A fila, o preço de um doce e o minuto de trem ficam de fora.
O que não se copia de outro terreiro
Fushimi Inari Taisha, em Quioto, é um jinja de montanha, com raposas e portões oferecidos. Sensō-ji é um tera de Kannon, com estátua fechada e frase de confiança. Os dois recebem gente em quantidade que cada um publica à sua maneira. Não se visita um com o roteiro do outro. Mãos juntas aqui. Reverência e palma lá. Soja sem o grito do demônio aqui, porque a página o diz.
O templo chama Asakusa de centro antigo de cultura popular e, ao mesmo tempo, de casa de uma imagem que ninguém abre. As duas frases estão no mesmo texto. A loja na frente do portão não cancela o zushi. O zushi não cancela a loja. Quem sai só com a foto da lanterna cumpriu o cartão. Quem leu a página sabe o que não foi mostrado, em que ano o salão voltou, e que 8 de abril, nesse terreiro, é aniversário do Buda.
Fontes
- Asakusa Kannon Senso-ji, Senso-ji.
- 略式年表, 浅草寺.
- 年中行事, 浅草寺.
Perguntas frequentes
Sensō-ji é um santuário?
É um templo budista. A página em inglês o apresenta como casa de Kannon, Shō Kanzeon Bosatsu, da seita Shō Kannon, com o nome de montanha Kinryūzan. O gesto que pede no salão é mãos juntas e a frase Namu Kanzeon Bosatsu, não as duas palmas do jinja.
Dá para ver a estátua principal?
O templo diz que não. Desde 645, quando o monge Shōkai a escondeu por causa de um sonho, a imagem permanece sem ser mostrada, num zushi com fechaduras que nem os sacerdotes-chefes abrem. A estátua que Ennin esculpiu é outra, feita para poder ser vista em raras ocasiões.
O que se diz no Setsubun do templo?
A página do ano litúrgico diz que, como não há demônios perto de Kannon, o Sensō-ji não usa a frase tradicional de expulsar demônios. Diz vida longa e boa fortuna. A data que publica é por volta de 3 de fevereiro. A soja continua a ser lançada.
Hana Matsuri é hanami?
No calendário do templo, Hana Matsuri é 8 de abril, o aniversário do Buda. A página diz que se borrifa chá de hortênsia sobre a estátua. Não é o piquenique debaixo da cerejeira.