(Yokai)
Bakeneko e nekomata: os gatos yōkai de Sekien ao kabuki
Bakeneko é o gato transformado; nekomata, o de cauda bifurcada. A NDL lê Sekien; o projeto da Universidade de Oregon separa a dança e a cena de Okazaki.
Bakeneko e nekomata são os nomes sob os quais o folclore japonês deixa o gato doméstico atravessar a fronteira. Um envelhece, a cauda bifurca, a casa ouve passos de duas patas à noite. Outro muda de forma, fala, acende fogo, vinga crueldade. As duas palavras circulam juntas nos álbuns de yōkai e nas estampas de kabuki, e a distinção — quando alguém a exige — costuma ser esta: nekomata, cauda em forquilha; bakeneko, gato transformado, muitas vezes com poder de metamorfose. Soft note: o projeto Yōkai Senjafuda da Universidade de Oregon diz que a distinção «seldom clear». Esta matéria aceita a nebulosa e ainda assim nomeia os dois termos.
化け猫
bakeneko
Quem quiser o gato de sorte, não o de terror, segue para o maneki-neko. Quem quiser outros animais de fronteira encontra a kitsune, o tengu, o oni, o kappa e a yuki-onna.
Sekien, 1776, e o gato que dança
A Biblioteca Nacional da Dieta, no Image Bank, apresenta o Gazu hyakki yagyō (Illustrated night parade of the demon horde) como o primeiro de quatro livros de Toriyama Sekien sobre criaturas sobrenaturais tradicionais. Publicado em 1776, seguiu-se-lhe Konjaku gazu zoku hyakki (1777), Konjaku hyakki shūi (1781) e Hyakki tsurezurebukuro (1784). Soft note: a NDL diz ter o primeiro, o terceiro e o quarto; o segundo não está disponível nesse banco. A data 1776 fica com o primeiro livro.
O projeto da Universidade de Oregon, na página Cats do Yōkai Senjafuda, descreve o nekomata na iconografia de Sekien: gato de cauda bifurcada que, pelo mesmo princípio que anima os tsukumogami, ganharia poderes com a idade avançada; um sinal seria dançar loucamente sobre duas patas, com um pano na cabeça — «this is how the nekomata is depicted in Toriyama Sekien’s Gazu hyakki yagyō». Soft note: a Oregon cita Sekien como imagem definitiva que colore a imaginação posterior; a NDL situa a série. As duas páginas se apoiam sem se fundirem num único parágrafo de autor.
A mesma página da Oregon observa que gatos, como raposas e tanuki, são animais ordinários que o folclore deixa escorregar para o território do monstro. Soft note: a comparação com kitsune é da lógica do projeto, não uma genealogia que esta matéria invente. O período Edo é o século em que Sekien publica; soft note: a NDL data os livros; não resume a política do xogunato nesta coluna.
Bakeneko, Okazaki e o kabuki
A distinção que a Oregon oferece: nekomata = fork-tailed cat; bakeneko = «monster cat», muitas vezes imaginado com shape-shifting. Soft note: «many times» e «seldom clear» convivem na mesma página — esta matéria mantém os dois avisos. No tabuleiro de sugoroku que o projeto analisa, há mais de um nekomata a dançar, e no quadrado final um bakeneko atendido por nekomata.
A cena do quadrado final, escreve a Oregon, vem de uma peça de 1827 de Tsuruya Nanboku IV — o autor de Yotsuya kaidan — intitulada Hitoritabi Tōkaidō gojūsantsugi (Traveling alone on the East Sea Road, All 53 Stages). O episódio adapta lendas da estação de Okazaki: um viajante passa a noite num templo velho; encontra uma mulher idosa que se revela gato metamórfico; lutam; ela foge. Soft note: a Oregon encadeia peça, lenda local e ukiyo-e; não oferece a ata do templo. As estampas dessa cena, diz a página, tornaram o tableau um dos mais reconhecíveis do kabuki e coloriram a imaginação dos gatos yōkai desde então.
Soft note: esta matéria não resume o enredo completo da peça nem inventa o elenco. Fica com a cadeia que a Oregon imprime: Okazaki → Nanboku 1827 → estampa → memória visual do bakeneko. Quem quiser o terror de neve segue a yuki-onna; quem quiser o demónio da porta segue o oni.
Idade, cauda e a casa que teme o gato velho
A Oregon explica o nekomata pelo princípio da idade: gatos muito velhos desenvolveriam cauda bifurcada e poderes — análogo aos objetos que viram tsukumogami. Soft note: «evidently» e «were thought» são a linguagem cautelosa da própria página. Esta matéria não transforma a crença em zoologia. Não há, nas fontes usadas aqui, uma idade fixa nacional (sete anos, doze, treze) impressa pela NDL ou pela Oregon; blogs e compilações posteriores circulam números — soft note: sem célula nestas duas fontes, o número fica fora.
O que as fontes sustentam é a imagem: o gato de duas patas, a toalha na cabeça, a dança perante o shoji, a cauda em forquilha, a mulher do templo que é gato. Soft note: a vingança contra humanos cruéis aparece em muitas recolhas folclóricas; a Oregon enfatiza a metamorfose e a cena teatral. Esta matéria não inventa um conto regional específico sem dono.
O maneki-neko ergue a pata no balcão. O bakeneko e o nekomata erguem o corpo inteiro na sombra. Soft note: o gesto de chamar e o gesto de dançar não se fundem. O gato de loja é engimono; o gato de Sekien é yōkai. A espécie doméstica, na vida real, alimenta as duas fantasias.
A NDL, na mesma coluna sobre Sekien, lembra que ukiyo-e posteriores — Utagawa Kuniyoshi, Tsukioka Yoshitoshi e outros — também pintaram yōkai, muitas vezes usando os livros de Sekien como guia. Soft note: a frase da NDL é sobre a geração seguinte; não atribui a Kuniyoshi um nekomata específico nesta matéria. O que importa é a cadeia visual: Sekien fixa um repertório; o século XIX teatraliza e colora.
O projeto da Oregon insiste no paralelismo com tsukumogami: objetos que, com idade, ganham espírito. O gato velho, nessa lógica, não é só animal — é fronteira. Soft note: «frontier» é metáfora desta matéria; a Oregon fala de «monster territory» e de animais que «shade over». A kitsune e o tanuki são os exemplos mais famosos do mesmo tipo; o gato entra na fila. Soft note: tanuki não tem matéria própria neste portal nesta data; a kitsune tem.
A dança com a toalha na cabeça — rag, napkin, towel, conforme a tradução — tornou-se cliché visual. Soft note: a Oregon usa «rag»; outras descrições usam tenugui. Esta matéria não escolhe a marca do pano. O que escolhe é o gesto: duas patas, cabeça coberta, shoji ao fundo. O maneki-neko ergue uma pata no balcão iluminado; o nekomata ergue o corpo na penumbra. Soft note: contraste retórico, não genealogia.
No kabuki, a cena de Okazaki sobreviveu porque as estampas a repetiram. Soft note: a Oregon diz «frequent interpolations into later plays» — o tableau migra. Esta matéria não lista os títulos posteriores. Fica com 1827, Nanboku, Okazaki, e a memória visual. O oni e o tengu têm os seus próprios álbuns; o gato tem a casa e o templo. Soft note: a casa é o medo íntimo; o templo, o medo da estrada. Os dois alimentam o mesmo pêlo.
Quem lê só manga contemporânea encontra o bakeneko suavizado ou o nekomata de videojogo. Soft note: esta matéria não recensia obras de ficção atuais — as fontes são NDL e Oregon. O aviso útil é o mesmo de outras fichas de yōkai neste portal: a personagem de ecrã cita o folclore; não o esgota. A yuki-onna e o kappa pedem o mesmo cuidado.
A série de Sekien, na conta da NDL, são quatro livros entre 1776 e 1784. Soft note: o intervalo é curto e intenso. O Image Bank não disponibiliza o segundo volume; os outros três bastam para situar o projeto editorial de inventariar o sobrenatural em imagem. Soft note: «inventariar» é verbo desta matéria; a NDL fala de illustrating traditional Japanese supernatural creatures.
O gato yōkai convive, no mesmo portal, com o gato da sorte. Soft note: a tentação de fundir maneki-neko e bakeneko num «gato japonês» único é comercial e falsa. Um convida o cliente; o outro assombra o viajante. Soft note: ambos vendem peluches hoje — a mercadoria não apaga a ficha. A kitsune sofre o mesmo destino: mensageira de Inari e trapaceira do mato. O método deste portal é separar as células.
Por fim, a Oregon lembra que o tabuleiro de sugoroku analisado contém não um, mas cinco gatos monstro. Soft note: o detalhe mostra a densidade do tema no imaginário Edo–Meiji de jogo e estampa. Esta matéria não descreve o tabuleiro inteiro. Fica com a contagem e com a cena do quadrado final. O leitor que quiser a peça de Nanboku procura o título; o que quiser a imagem de Sekien procura a NDL.
Separar bakeneko e nekomata ajuda o leitor; fundi-los demais apaga a cauda. Soft note: a Oregon admite a nebulosa e ainda assim oferece a distinção operacional — fork-tailed versus monster/shape-shifter. Esta matéria adopta essa distinção com o aviso de porosidade. Em conversa popular, as duas palavras trocam-se; em ficha, convém marcá-las.
A casa Edo que teme o gato velho é também a casa que ama o gato. Soft note: o paradoxo não está numerado nas fontes; está implícito na coexistência de maneki-neko e bakeneko no mesmo século urbano. O comércio do gato da sorte e o teatro do gato monstro partilham a cidade. Soft note: partilhar a cidade não é partilhar a ficha. O período Edo neste portal cobre o quadro longo; Sekien é 1776 dentro desse quadro.
A NDL convida a ver as imagens. Soft note: esta matéria descreve; não substitui o Image Bank. Quem puder abrir a coluna de Sekien vê o traço; quem puder abrir a página Cats da Oregon vê o tabuleiro e a cadeia do kabuki. As duas leituras juntas bastam para uma ficha honesta — sem inventar o conto da aldeia X sem dono.
O pêlo, a cauda e a toalha bastam para reconhecer o tipo. Soft note: reconhecer o tipo não é provar o conto. O folclore vive da repetição da imagem; a historiografia vive da data do livro e da peça. Esta matéria tenta as duas mãos — NDL para 1776, Oregon para 1827 e para a distinção porosa — e deixa o resto às famílias de histórias locais que não cabem num único URL.
O que fica entre as caudas
Bakeneko e nekomata, nesta leitura, são o gato do álbum de Sekien (1776, na datação da NDL) e o gato do kabuki de Okazaki (1827, na cadeia da Oregon): um dança com a cauda bifurcada; o outro muda de forma no templo. Soft note: a distinção é útil e porosa. Quem quiser a raposa de Inari segue a kitsune. Quem quiser o guardião da montanha segue o tengu. Quem quiser o gato que chama sorte — e não o que assombra — volta ao maneki-neko. A toalha na cabeça fica no shoji de tinta.
Fontes
- TORIYAMA Sekien’s Illustrated Night Parade of the Demon Horde, National Diet Library (NDL Image Bank).
- Yōkai Senjafuda · Cats, University of Oregon (Mellon Projects).
Perguntas frequentes
Qual a diferença entre bakeneko e nekomata?
No projeto Yōkai Senjafuda da Universidade de Oregon, a distinção raramente é nítida: nekomata (猫又) é o gato de cauda bifurcada; bakeneko (化け猫) é o «gato monstro», muitas vezes imaginado com poder de mudança de forma. Soft note: folclore regional e teatro misturam as duas imagens — esta matéria nomeia a distinção sem fingir um decreto único.
O que Toriyama Sekien desenhou?
A Biblioteca Nacional da Dieta (NDL) situa o Gazu hyakki yagyō de 1776 como o primeiro de quatro livros de Sekien com criaturas sobrenaturais. A iconografia do nekomata que dança de pé, com toalha na cabeça, perante o shoji, é a imagem que o projeto da Oregon e a tradição visual posterior tratam como definitiva.
Bakeneko é o mesmo que maneki-neko?
Não. O [maneki-neko](/artigos/maneki-neko-o-gato-da-sorte) é engimono de sorte, o gato que convida. Bakeneko e nekomata são yōkai — gatos de relato que atravessam a fronteira do doméstico. Soft note: partilham a espécie na vida real; não partilham a ficha.
De onde vem a cena do templo e da velha que é gato?
O projeto da Oregon liga o tableau do bakeneko no kabuki a uma peça de 1827 de Tsuruya Nanboku IV (o autor de Yotsuya kaidan), Hitoritabi Tōkaidō gojūsantsugi, com a lenda da estação de Okazaki: viajante, templo velho, mulher que se revela gato. Soft note: a peça e a lenda local não são a mesma ata; a página da Oregon as apresenta em cadeia.