(História)

Período Edo: 1603 na tabela e 1600 no título variante

A tabela da biblioteca data a abertura do xogunato em 1603 e a devolução do poder em 1867. O título variante em inglês imprime 1600-1868.

Nicholas Nishimura 10 min de leitura

Pintura em sumi-e de um castelo sobre a cidade, com pinheiros, névoa e uma ponte vermelha.

O período Edo, na tabela da exposição “A matemática de Edo” da Biblioteca Nacional da Dieta, entra por um acontecimento datado: a abertura do xogunato de Edo, em 1603, era Keicho 8. A mesma tabela fecha o arco político que ela própria marca com a devolução do poder em 1867, era Keio 3, e com a frase de que no ano seguinte se muda a era para Meiji. Noutra página da biblioteca, a ficha de autoridade do nome “Japão, história, período Edo”, o título variante em inglês imprime Tokugawa period, 1600-1868. Duas páginas. Uma é uma tabela de acontecimentos. A outra é um nome, com um intervalo diferente. Não se escolhe 1600 para corrigir 1603, nem 1868 para preencher o “ano seguinte” que a tabela não numerou.

江戸

Edo

A tabela imprime 1603 e 1867. O título variante em inglês imprime 1600-1868.

O que a ficha de autoridade chama de período

A ficha é de nome geográfico. O identificador de autoridade é 00568291. O título é 日本–歴史–江戸時代. A leitura em katakana é ニホン–レキシ–エドジダイ. A romanização impressa é Nihon–Rekishi–Edojidai. Os títulos variantes são: período Edo; período Tokugawa; Japão, história, idade moderna; e, em inglês, Japan–History–Tokugawa period, 1600-1868. O intervalo 1600-1868 está nessa linha inglesa. Não está numa frase que diga “o xogunato abre em 1600”. É o título variante.

Os termos mais estreitos, sem anos, são: Japão, história, começo de Edo; meio de Edo; fim de Edo. A classificação impressa é 210.5 nas NDC10 e NDC9, e GB341 na NDLC. A fonte citada na ficha é um livro, “Saikaku e os cidadãos de Genroku”, de Morimoto Sugio. A data de criação do registro é 20 de junho de 1980. Esse dia é da ficha. Não é Keicho, nem Keio.

A cidade que hoje está no lugar daquele nome está na matéria de Tóquio. A biblioteca, nestas duas páginas, não descreve Asakusa, nem a floresta de Yoyogi, nem um voo. A matéria da cidade não imprime 00568291, nem 1600-1868.

A abertura, na célula em que está

Na tabela da matemática, o acontecimento “abertura do xogunato de Edo” está com 1603 (Keicho 8). É a data que esta matéria atribui à abertura, porque é a que partilha a célula do acontecimento. A tabela é uma grade larga, com uma coluna do Japão e uma do Ocidente, e vários números soltos nas faixas. Não se promove um número de outra coluna a segundo ano oficial da abertura. O 1600-1868 continua na ficha de autoridade, sozinho.

Antes dessa célula, a tabela imprime, sem os tratar como a abertura: por esta altura o soroban difunde-se; por esta altura, no livro chinês Sangaku keimo, chega o tengenjutsu, com 1592? (Bunroku 1)?, e a interrogação é da página; e o ano 1598 numa faixa. “Por esta altura” e a interrogação ficam. Não se apagam para fazer um começo limpo em 1603.

Depois da abertura, a tabela segue o que cabe numa história do cálculo, e também o que pôs ao lado. A conclusão do sakoku é 1639 (Kanei 16). A primeira edição do Jinkoki, de Yoshida Mitsuyoshi, é 1627 (Kanei 4). A edição nova, com problemas legados, é 1641 (Kanei 18). O Hatsubi sanpo, de Seki Takakazu, é 1674, sem era nessa célula. A reforma do calendário depois de várias centenas de anos, o Jokyo-reki de Shibukawa Harumi, é 1685 (Jokyo 2). O decreto de compaixão pelos seres vivos é 1687 (Jokyo 4). As reformas de Kyoho, de Yoshimune, com também um afrouxar da proibição de exportação, são 1716 (Kyoho 1). O Kaitai shinsho, de Maeno Ryotaku, Sugita Genpaku e outros, é 1774 (An’ei 3). As reformas de Kansei, de Matsudaira Sadanobu, são 1787 (Tenmei 7). Ino Tadataka começa a medição em 1800 (Kansei 12). O incidente de Siebold é 1828 (Bunsei 11). A prisão da Bansha é 1839 (Tenpo 10). As reformas de Tenpo, de Mizuno Tadakuni, são 1841 (Tenpo 12). A chegada de Perry é 1853 (Kaei 6). Cada par, ano ocidental e era, fica na célula em que a página o imprimiu. Não se completa uma era que a célula deixou em branco, como a de 1674.

A matéria de Okinawa lê outras páginas, e nelas Perry entra no porto de Naha em 1852, antes da chegada a Edo no ano seguinte. Esta tabela imprime 1853 (Kaei 6) para a chegada de Perry, e não imprime Naha, nem 1852. Os dois anos não se trocam. O “ano seguinte” daquela matéria não se cola a esta célula.

O fecho que a tabela escreve, e o fecho do título

A célula final do arco é “devolução do poder, e no ano seguinte a mudança de era para Meiji”, 1867 (Keio 3). “No ano seguinte” é a frase. A célula não imprime 1868. A linha de baixo é outro acontecimento: Kikuchi Dairoku estuda na Grã-Bretanha, 1870 (Meiji 3). Entre as duas células há um salto de acontecimento. Não se usa 1870 para calcular o ano que a frase de 1867 deixou por dizer.

A ficha de autoridade acaba o título inglês em 1868. Não diz devolução do poder. Não diz Keio 3. Não diz que 1868 seja o ano seguinte de 1867. O intervalo 1600-1868 e o par 1603 / 1867 são de páginas diferentes. Quem precisar de uma porta só não a encontra aqui. Encontra duas portas, com os números que cada uma imprimiu.

A ordem de usar aritmética ocidental nas escolas primárias está na tabela em 1872 (Meiji 5). Já é outra era, noutro acontecimento. Não alonga o período para trás, nem enche o “ano seguinte”.

O santuário de Ieyasu está na matéria do Nikkō Tōshō-gū. Essa matéria lê a biblioteca noutras páginas, e o próprio santuário. Estas duas páginas não imprimem o Tōshō-gū, nem a tarifa, nem o dia 17 de abril. A tabela não precisa do santuário para datar a abertura: a célula diz 1603 (Keicho 8). Não nomeia o primeiro xogum.

O que a tabela põe no meio, sem virar manual

A tabela não é um manual do período. É a cronologia de uma exposição de matemática, e por isso o meio está cheio de livros. O Taisei sankei, compilado por Seki e pelos irmãos Takebe, completa-se em 1710 (Hoei 7). O Katsuyo sanpo, manuscrito póstumo de Seki, por Araki Murahide, é 1712 (Shotoku 2). O Rekisan zensho, astronomia e matemática ocidentais, chega da China em 1726 (Kyoho 11). A tradução ordenada por Yoshimune, feita por Nakane Genkei, completa-se em 1733 (Kyoho 18). A reforma do calendário de Horeki, com Toita Yasusuke, é 1755 (Horeki 5). O Shuki sanpo, do senhor de Kurume, Arima Yoriyuki, publica-se em 1769 (Meiwa 6). O Sanpo shojo, de Chiba Momokazu e da filha Akiko, é 1775 (An’ei 4). A disputa de Aida Yasuaki, da escola Saijo, com a escola Seki, é 1785 (Tenmei 5). A reforma do calendário de Kansei é 1798 (Kansei 10). Por esta altura, Wada Nei completa o enri katsujutsu, 1817 (Bunka 14). “Por esta altura” fica. O Sanpo shinsho, de Chiba Tanehide, publica-se em 1830 (Tenpo 1), e a página diz que depois se reimprimiu. A reforma do calendário de Tenpo é 1844 (Koka 1).

Estes títulos não são a lista dos governos. As reformas de Kyoho, Kansei e Tenpo estão na tabela porque a página as pôs ao lado dos livros. Não há, nestas células, o texto da lei, nem o nome de um domínio além dos que a linha já traz, como Kurume. Não se completa a reforma com um artigo que a página não imprimiu.

A flor que o mapa mede está na matéria de sakura e hanami. Essa matéria lê a agência do tempo, e nela a somei-yoshino começa no fim do período Edo. Esta tabela não imprime a variedade, nem o fim do período como uma estação de flor. O fim político que ela imprime é a célula de 1867. A flor fica na matéria dela.

O que a célula deixa em aberto

A interrogação de 1592? (Bunroku 1)? é da página. Não se tira o ponto para fazer de Bunroku 1 o ano limpo antes da abertura. O 1598 está numa faixa. Não está na célula “abertura do xogunato de Edo”. O soroban, “por esta altura”, não tem ano. Essas três marcas ficam antes de 1603, e nenhuma delas reescreve Keicho 8.

1674, o Hatsubi sanpo de Seki Takakazu, não traz era na célula. Jokyo aparece em 1685, no calendário de Shibukawa Harumi, e em 1687, no decreto de compaixão pelos seres vivos. Não se empresta Jokyo a 1674 para fechar o branco. 1817 traz “por esta altura” junto de Wada Nei e do enri katsujutsu. O advérbio fica nessa célula. Não se aplica à medição de Ino Tadataka, que a página data em 1800 (Kansei 12) sem esse advérbio, nem ao Sanpo shinsho de 1830 (Tenpo 1), que a página diz ter sido reimpresso depois, sem datar a reimpressão.

O Kaitai shinsho, 1774 (An’ei 3), nomeia Maeno Ryotaku, Sugita Genpaku e outros. “E outros” fica. O Sanpo shojo, 1775 (An’ei 4), nomeia Chiba Momokazu e a filha Akiko. A disputa de 1785 (Tenmei 5) é de Aida Yasuaki, da escola Saijo, com a escola Seki. A página não imprime o texto da disputa. A célula de Ino, 1800, é o começo da medição. Não diz que um mapa ficou pronto nesse ano. O incidente de Siebold, 1828 (Bunsei 11), e a prisão da Bansha, 1839 (Tenpo 10), estão na tabela sem a lista dos nomes que a célula não trouxe. As reformas de Kyoho, 1716 (Kyoho 1), de Yoshimune, trazem também o afrouxar da proibição de exportação. Esse “também” é da célula. Não vira um tratado à parte.

A ficha de autoridade, do outro lado, não narra nenhum desses livros. O tipo impresso é nome geográfico. A fonte citada, “Saikaku e os cidadãos de Genroku”, de Morimoto Sugio, não é a tabela, e a tabela não cita esse livro como prova de 1603. Os termos mais estreitos, começo, meio e fim de Edo, continuam sem ano. Quem quiser um meio datado não o acha na ficha. Acha, na tabela, as células que a exposição de matemática escolheu pôr.

Kikuchi Dairoku, 1870 (Meiji 3), e a ordem de usar aritmética ocidental nas escolas primárias, 1872 (Meiji 5), vêm depois da devolução. Mostram o que a tabela imprime já em Meiji. Não numeram o “ano seguinte” de 1867, e não puxam o período até 1872. O título inglês 1600-1868 também não os explica. Continua variante, na ficha criada em 20 de junho de 1980.

O que outras matérias já dataram com outras páginas

A roupa está na matéria do kimono. O relatório da agência, lido lá, põe os anos Genroku em 1688–1704 para o comprimento da peça de mulher, e não usa esta tabela. Esta tabela não imprime Genroku como intervalo 1688–1704. Imprime outras eras, nas células que tem. Não se empresta 1688 à abertura, nem a faixa de 9 sun a Seki Takakazu.

O pano está na matéria do furoshiki. Lá, outra página situa o uso largo no período Edo e imprime um intervalo que não é o desta ficha de autoridade. Esta matéria não cola esse intervalo ao 1600-1868, nem ao 1603 / 1867. Três leituras de “Edo”, se se contar o pano, e duas só nesta página dupla da biblioteca. Cada número fica com quem o imprimiu.

O que estas duas páginas permitem dizer, sem fechar o período numa porta só, é curto. A tabela chama de abertura o ano 1603 (Keicho 8) e de devolução o ano 1867 (Keio 3), com o ano seguinte por dizer. A ficha de autoridade chama o mesmo nome, entre outros títulos, de Tokugawa period, 1600-1868, e data a própria ficha em 20 de junho de 1980. O meio da tabela é o cálculo, o calendário, a medição e a chegada de 1853. O santuário, a faixa e a flor estão noutros textos. Não entram aqui por serem do mesmo século.

Fontes

Perguntas frequentes

Que ano a tabela liga à abertura do xogunato?

1603, era Keicho 8, na célula do acontecimento 'abertura do xogunato de Edo'. A página não imprime, nessa célula, o ano 1600. O 1600-1868 está noutra página da mesma biblioteca, no título variante em inglês do registro de autoridade. As duas marcas não se trocam.

Quando a tabela diz que o poder foi devolvido?

Em 1867, era Keio 3, com a frase 'devolução do poder, e no ano seguinte a mudança de era para Meiji'. O ano seguinte não vem com um número ocidental nessa célula. A página não imprime 1868 ao lado dessa frase. O título variante, na outra página, acaba em 1868.

O registro de autoridade é uma cronologia?

Não. É uma ficha de nome geográfico: Japão, história, período Edo. Os títulos variantes impressos são período Edo, período Tokugawa, Japão história idade moderna, e em inglês Tokugawa period, 1600-1868. A data de criação da ficha é 20 de junho de 1980. Esse dia não é o começo do período.

A tabela é a história inteira do período?

É a tabela da exposição 'A matemática de Edo'. Ao lado da abertura e da devolução, imprime o fecho do sakoku em 1639, as reformas, a chegada de Perry em 1853 e outros marcos que cabem numa história do cálculo. Não imprime o santuário de Nikkō, nem o sun da faixa, nem a flor de 1462.