(Costumes)
Furoshiki: o pano de Yokoyama e o chirimen de Tango
Uno Masaki registra o pano de Yokoyama Isao, de 50 a 200 cm, e o banho de Edo. A prefeitura de Quioto lista o furoshiki no chirimen de Tango.
Furoshiki, no texto de Uno Masaki publicado em setembro de 2020, é um pano quase quadrado, usado há muito no Japão para embrulhar e carregar. O texto apresenta Yokoyama Isao, que se intitula príncipe do furoshiki, e as oficinas em que ele mostra o pano na vida de agora. A página da prefeitura de Quioto, atualizada em 7 de maio de 2010, usa a mesma palavra para outra coisa: um item principal da peça de ofício feita com chirimen de Tango. Duas páginas. Uma é a entrevista do pano que volta à sacola. A outra é um verbete curto de ofício, sem oficina e sem centímetro.
風呂敷
Furoshiki
O pano, na frase de Uno
Uno abre pelo retorno. Os panos de embrulho conhecidos como furoshiki voltam no Japão como alternativa às sacolas descartáveis. Yokoyama promove esse retorno mostrando o uso no cotidiano moderno. O artigo o chama de auto-intitulado “Furoshiki Prince”. O título é dele, não uma patente que a página confira. As fotos são cortesia de Yokoyama Isao. A assinatura é Uno Masaki.
O pano é quase quadrado. Serviu muito para embrulhar e carregar. O costume de embrulhar objetos de valor em pano, escreve Uno, diz-se ter começado no período Nara, 710–794. O uso largo pelo público é que ele situa no período Edo, 1603–1867. “Diz-se” cobre o começo. O período Edo entra como a época em que o pano se espalhou. As duas datas ficam nas duas orações. Não se escolhe 710 para apagar 1603, nem o contrário.
A cidade que foi capital no período Nara tem matéria própria, Nara. Uno não descreve o cervo nem o salão. Dá o intervalo 710–794 para o começo que se diz do costume. Essa matéria de cidade lê outras páginas. O intervalo não sai daqui para lá.
O nome, o banho e a viagem
No período Edo, os banhos públicos comunitários, que Uno diz serem agora o sento, cresceram nas cidades, sobretudo em Edo, a atual Tóquio. Antes do banho, as pessoas passaram a juntar roupa e pertences no pano, no vestiário, para não misturar com os dos outros. Daí o nome. “Furo” significa banho. “Shiki” significa estender. A glosa é do artigo. Não é um dicionário à parte.
Esse sento é o vestiário de Edo na origem do nome. O banho termal, com a regra de quem entra na água, está na matéria de onsen. Uno não descreve essa regra, nem a placa de uma fonte. Descreve o pano que separava a roupa no banho público da cidade. A cidade de Edo está na matéria de Tóquio. A página diz “present-day Tokyo”. Não descreve o santuário de Meiji nem o templo de Asakusa.
O mesmo período usou o furoshiki na viagem. Uno diz que há muitas xilogravuras ukiyo-e de viajantes com o pano estufado às costas. Não nomeia uma prancha, nem um artista, nem um museu. “Muitas” fica sem contagem. O viajante da gravura não vira um itinerário.
O que saiu do cotidiano
Na segunda metade do século XIX, com a modernização, o furoshiki saiu de uso à medida que a vida se ocidentalizava. Depois da Segunda Guerra Mundial, desapareceu do cotidiano, substituído por bolsa de mão, mochila e sacola descartável. Uno dá as duas etapas. A primeira é a saída, no fim do século XIX. A segunda é o desaparecimento, depois da guerra, com três substitutos nomeados. Não há um ano único dentro de “segunda metade”, nem um decreto. “Desapareceu” é a frase dele para o cotidiano. O artigo, em seguida, mostra quem tenta trazer o pano de volta. As duas frases convivem: saiu, e há quem o reponha.
Esse alguém é Yokoyama. Dá oficinas e eventos pelo Japão. Mostra usos do cotidiano, de viagem e ar livre a brinquedo de criança e primeiros socorros, começando pelo básico de embrulhar e amarrar. A lista é essa. Não há cidade da oficina, nem calendário, nem o desenho do nó. “Começando pelo básico” não é um manual de passos. O passo não está impresso.
O que ele resume como vantagem cabe numa citação. Os objetos não chocalham, porque podem ir bem apertados, envolvendo a forma. Conforme o modo de embrulhar ou amarrar, o pano também serve de bolsa. O melhor, diz ele, é que depois do uso se dobra de novo num só pano pequeno, pronto para outro fim. Três vantagens, na ordem dele: não chocalha, vira bolsa, volta a ser um pano. Não há um quarto item nessa fala.
A fascinação, escreve Uno, veio na universidade de arte, pela função alta e pela beleza eficiente. Desde então Yokoyama usa um furoshiki no lugar da bolsa, há uns vinte anos, aonde quer que vá. “Uns vinte anos” é o “some twenty years” da página. Não é uma data de matrícula. A universidade não tem nome.
Medida, sacola e julho de 2020
Noutra fala, Yokoyama diz que o mundo está cheio de coisas descartáveis. Sacola de plástico e de papel no mercado, e a embalagem do produto, quando se jogam fora, pesam no ambiente. Com um só furoshiki dá para embrulhar e carregar objeto de qualquer forma, por métodos diferentes, e não há desperdício porque o pano se usa outra vez. Muita gente de fora, diz ele, vai às lojas especializadas buscar lembrança. Há tantos desenhos que o cliente pode gostar só de olhar. O pano também se usa como peça de roupa, em tamanhos que vão do quadrado de 50 centímetros ao quadrado de 200. “Qualquer forma” e “tantos desenhos” não viram lista. Os dois quadrados são o intervalo impresso. Não há um terceiro tamanho.
A sacola plástica de compra passou a ter taxa obrigatória a partir de julho de 2020, uma medida contra o lixo plástico no Japão, e isso, escreve Uno, empurra o morador a rever o modo de viver. Mais gente carrega sacola reutilizável, que se dobra na compra. Yokoyama explica o que o furoshiki acrescenta nesse passeio. Pode ser mochila ou sacola. Garrafa que quebra pode ir embrulhada e segura. Ou o pano vira xale ou capuz contra vento, frio ou chuva. Ele espera espalhar qualidades que, na frase dele, o japonês de agora em grande parte esqueceu, e ao mesmo tempo contribuir para o ambiente.
Essa lista de usos é dele: mochila, sacola, garrafa, xale, capuz. Não é a lista da oficina, que era viagem, ar livre, brinquedo e primeiros socorros, mais o básico de amarrar. As duas listas estão no artigo. Não se cola o capuz no brinquedo, nem o primeiros socorros na garrafa.
O fecho é de Uno, não uma fala entre aspas de Yokoyama. O retorno do furoshiki à vida de agora se apoia num traço japonês que não se perdeu, o de usar as coisas com cuidado e não desperdiçar. “Claramente”, escreve ele, muitas possibilidades estão embrulhadas nesse retorno. “Muitas” não é um número. O traço não vem com provérbio citado, nem com autor antigo. É a frase do artigo. Não se estica para uma máxima que a página não imprime.
A taxa de julho de 2020 também fica sem iene. A página diz que a taxa passou a ser obrigatória. Não diz quanto. Não diz se o papel entrou na mesma regra. O papel aparece só na fala de Yokoyama, como sacola que se joga fora. A taxa nomeada é a do plástico.
O pano, na abertura, é quase quadrado. Na fala do tamanho, Yokoyama fala de quadrados, de 50 a 200 centímetros. As duas formas ficam. “Quase” não se apaga porque a linha de baixo disse quadrado, e o quadrado não se apaga porque a abertura disse quase. Não há uma medida de lado que feche a diferença.
As imagens da página repetem usos que o texto já pôs na boca dele, e acrescentam o que a legenda vê. Há o próprio Yokoyama, chamado de príncipe do furoshiki. Há panos estendidos, sem nó. Há um só pano amarrado em mochila. Há um pano amarrado em forma de sacola. Há um pano em volta de duas garrafas de vidro. Há um pano feito sacola de compra reutilizável. Há ainda a loja especializada. A legenda da mochila diz que um só furoshiki pode ser amarrado para virar mochila. A da sacola diz que foi amarrado na forma de uma tote. A das garrafas diz duas, de vidro. A da compra diz sacola reutilizável. Nenhuma legenda numera o passo, nem nomeia o nó, nem dá o centímetro daquela foto. O intervalo de 50 a 200 continua na fala, não na imagem.
A mochila e a sacola estão em dois lugares: na fala de Yokoyama sobre o passeio de compras, e na legenda. A garrafa que quebra, na fala, encontra duas garrafas de vidro na foto. O xale e o capuz estão na fala e não têm legenda própria neste artigo. O brinquedo e os primeiros socorros estão na lista da oficina e também não têm foto legendada aqui. A loja especializada aparece na fala, como destino de quem vem de fora buscar lembrança, e aparece de novo como imagem. Não há endereço dessa loja, nem um nome de rua.
O furoshiki na página de Tango
A prefeitura de Quioto publica outra página, curta, atualizada em 7 de maio de 2010. O título é a peça de ofício de chirimen de Tango, dentro dos ofícios tradicionais da prefeitura. O texto define o que chama de produto que aproveita a técnica do “coisa de Quioto”. É o produto novo feito tendo por matéria o chirimen de Tango, que é ofício designado como coisa de Quioto, por tingimento, costura e outros processamentos. A frase é uma definição. Não é uma história do período Nara, nem do banho de Edo. Uno não é citado. Yokoyama não é citado.
Os usos que a página enumera são muitos: pequeno artigo de roupa japonesa, pequeno artigo de roupa ocidental, vestuário, roupa de cama, artigo de interior e utilidade doméstica. “Muitos usos”, escreve ela, e coisas feitas em grande número. Os principais, na frase seguinte, são furoshiki, obi-age e lenço. Três principais. O furoshiki entra nessa lista, ao lado do obi-age e do lenço, como item de chirimen de Tango. Não entra como o pano de 50 a 200 centímetros. Esse intervalo não está nesta página. O banho, o ukiyo-e e a taxa de 2020 também não.
O contato impresso é a seção de tinturaria e ofício, do departamento de comércio, trabalho e turismo. O endereço é Kamigyō-ku, Quioto, Shimodachiuri-dōri Shinchō nishi-iru Yabunouchi-chō. O telefone é 075-414-4856. O fax é 075-414-4842. O correio é [email protected]. O código postal da prefeitura, no mesmo bloco, é 602-8570, com o telefone geral 075-451-8111. A cidade tem matéria própria, Quioto. Essa matéria lê a festa de julho e a rua. Esta página de ofício não descreve a festa. Descreve uma definição, uma lista de usos e três itens principais, com o balcão no bairro de Kamigyō.
Tango, no título, é a matéria do chirimen. A página não desenha o mapa do distrito, nem dá o tear, nem o ano em que o chirimen foi designado. “Designado” fica como o estatuto que ela atribui ao chirimen de Tango, matéria da peça nova. O furoshiki é um dos principais produtos dessa peça. Não é, nesta página, o pano que Yokoyama dobra depois da compra.
As duas páginas usam a palavra e não se medem uma pela outra. Uno tem o quase quadrado, o “diz-se” do período Nara, o sento de Edo, a saída no fim do século XIX, o sumiço depois da guerra, os uns vinte anos, os quadrados de 50 e de 200 centímetros, e julho de 2020 sem o valor da taxa. A prefeitura tem 7 de maio de 2010, a definição do produto de técnica, a lista de usos e os três principais: furoshiki, obi-age, lenço. O centímetro de Yokoyama não entra no chirimen. O obi-age não entra na oficina.
A corda de palha que dá nome a este portal está na matéria sobre o que é shimenawa. Uno não descreve corda, nem fronteira de santuário. Descreve pano de embrulhar e carregar. A prefeitura também não. O furoshiki destas duas páginas não é essa corda. É o pano da entrevista e o item da lista de Tango, cada um com o que a sua página imprime.
Fontes
- The Furoshiki Prince and the Revival of the Wrapping Cloth, Uno Masaki, 2020.
- 丹後ちりめん工芸品, 京都府, 2010.
Perguntas frequentes
De onde a matéria tira o nome furoshiki?
Do texto de Uno Masaki, em setembro de 2020. Nos banhos públicos de Edo, a atual Tóquio, a pessoa embrulhava a roupa no vestiário para não misturar com a dos outros. “Furo” é banho e “shiki” é estender. A página diz que o costume de embrulhar objetos de valor em pano se diz ter começado no período Nara, e que o uso largo é do período Edo.
Que tamanhos Yokoyama imprime?
Quadrados de 50 centímetros a quadrados de 200 centímetros. Ele fala de mochila, sacola, garrafas que quebram, xale ou capuz. Não dá o nome de um nó, nem um passo numerado. O artigo também não converte o centímetro em outro tamanho.
O furoshiki de Tango é essa entrevista?
Não. A página da prefeitura de Quioto, atualizada em 7 de maio de 2010, define a peça de ofício de chirimen de Tango como produto novo feito com o chirimen designado, por tingimento, costura e outros processos. Entre os principais itens lista furoshiki, obi-age e lenço. Não cita Yokoyama, nem 50 centímetros, nem a taxa de julho de 2020.
A sacola plástica tem preço nesta matéria?
Não. Uno escreve que as sacolas plásticas de compra passaram a ter taxa obrigatória a partir de julho de 2020, como medida contra o lixo plástico. Não imprime o valor em ienes. Yokoyama fala do peso ambiental do que se joga fora. O número da taxa não está na página.