(Destinos)
Quioto: a cidade lida pela festa, pelo sul e pela rua
Quioto pela JNTO e pelo Yasaka: como chegar, o Gion em julho, Fushimi e Uji, a cerejeira tardia e o que a rua pede de quem passa.
Quioto, na página da Japan National Tourism Organization, é uma cidade cuja cultura se refinou ao longo de 1.200 anos, cercada de natureza, com um repertório que a própria página chama de único. Muita coisa que o visitante reconhece como japonesa, diz o texto, nasceu ali e continua na vida de quem mora: a machiya, a casa de madeira em que se vive um dia de agora; o Gion Matsuri; o hanamachi, o bairro em que a geiko trabalha; o Jizō de barro, bronze ou pedra, guardião de crianças e de viajantes, espalhado pela cidade. A matéria de Tóquio lê uma capital pelo santuário de Meiji e pelo templo de Asakusa. Esta lê outra capital pelo que a JNTO e o Yasaka publicam, sem ranking de postal e sem minuto de trem inventado.
京都
Kyōto
A mesma página fala em comida japonesa “em geral saudável” e em equilíbrio nutricional. Essa frase não traz tabela. Fica de fora. Ficam o chá, o arranjo de flores e o que se pode verificar no chão: bairro, festa, aeroporto, ônibus.
O mapa que a JNTO desenha
Para ver o que a cidade tem, a JNTO recomenda os horários menos cheios nos santuários: cedo, ou à noite, quando há iluminação. Também pede que se divida Quioto em áreas. No centro, prédios históricos e ruas antigas. Ao norte, Keihoku e Miyama, campo e mata, e mais adiante, do lado do mar do Japão, a língua de areia de Amanohashidate e as casas de barco de Ine. Ao sul, saquê de Fushimi, que a página apresenta como um dos três grandes polos de produção do país, e chá de Uji. A oeste, bambu, paisagem rural e templos e santuários do Nishiyama. O superlativo dos três polos de saquê é o da JNTO. Não é uma medição deste portal.
A rede que a JNTO descreve não é um horário de shinkansen. Os aeroportos mais próximos são Itami e o Kansai Internacional, os dois em Osaka, a cerca de 1 hora e de 1 hora e meia. Dentro da província, Ōhara, Takao e o norte saem de ônibus da estação de Quioto. Miyama pede ônibus a partir desse norte. Yamashina, Fushimi, Uji e o oeste vão de trem. Amanohashidate e Miyama pedem a linha JR San’in e depois baldeação ou ônibus. A página recomenda planejar antes. Planejar, aqui, é ler a baldeação. Não é inventar o minuto que a página não deu.
Há um mapa de previsão de congestionamento, com câmeras ao vivo, para quem quer o quieto. A página sugere templos populares na abertura da manhã, ou as áreas fora do centro, e lembra trens e ônibus. Armários de moeda e guarda-volumes nas estações servem para deixar a mala: a visita fica mais leve, e o transporte, menos cheio. Isso é conselho de turismo com um gesto concreto. Não é um horário de templo.
No inverno, a mesma página lista kabuki, a flor da ameixeira depois da neve, e onsen de campo. O onsen dessa frase é o banho de fonte, com a regra da casa que recebe, não uma estação termal no meio de Gion. A página não nomeia a vila. Nomeia a estação do ano.
A rua, a maiko e o que não se faz
Em Gion e Higashiyama pode passar uma geiko, a geisha no dialeto da cidade, ou uma maiko, a aprendiz. A JNTO pede que não se pare a pessoa, não se peça fotografia e não se toque na roupa. Ela costuma ir atrasada para o compromisso seguinte. Quem quer conversa e foto marcada, diz a página, procura uma experiência no Gion Corner.
No mercado de Nishiki, come-se no estabelecimento em que se comprou, e o lixo fica ali. Jogar resto na rua é proibido. A página sugere um saco, caso a lixeira não apareça. Fumar na rua é proibido em Quioto, com multa no centro, inclusive em Kiyomizu, em Gion e em volta da estação. O cigarro, se houver, é na área designada. Propriedade privada não se atravessa, sobretudo em Gion e nas casas de barco de Ine. A página trata isso como a condição para o morador continuar dividindo o bairro. Não é um detalhe de etiqueta para o fim do guia. É o modo de a visita não estragar o lugar que veio ver.
O torii de um jinja no meio desse percurso continua sendo portão de santuário. A pressa da foto não muda a regra de quem reza do outro lado.
Gion, o mês inteiro
O Yasaka Jinja publica o Gion Matsuri como uma das festas mais importantes do santuário, com tradição de mais de 1.150 anos, durante o mês inteiro de julho. É festa para prevenir epidemias. Há ritos ao longo do mês, e o centro da cidade entra no clima. Os pontos altos que a página marca são o Mikoshi-togyo e o Yamahoko-junkō, em 17 e em 24 de julho.
A origem que o santuário conta é 869, Jōgan 11. Uma peste grave se espalhou por Quioto. A gente da época atribuía o mal a espíritos vingativos e a divindades malignas. Ergueram 66 hoko, lanças que representavam as províncias, no Shinsen-en, jardim imperial da capital Heian, e levaram o mikoshi do kami do Yasaka até lá. A festa começou assim, para erradicar a peste e prevenir epidemias. O santuário diz que a cidade protegeu essa festa até hoje, apesar de interrupções por guerras civis e por razões políticas.
Na manhã de 17 e de 24 de julho, 34 carros, hoko e yama, com decoração que a página chama de luxuosa, percorrem as ruas. O desfile é às vezes chamado de museu de arte móvel. A origem dele, diz o texto, era apaziguar as divindades que causam epidemias e problemas. Músicos nos carros tocam para apaziguar os espíritos. Antes da procissão dos mikoshi, os carros purificam as ruas.
À noite, em 17 e em 24, sai o Mikoshi-togyo. Na noite de 17, três mikoshi com os kami do Yasaka deixam o santuário em direção ao Otabisho, no centro. Descansam uma semana e voltam na noite de 24. O kami no centro do salão é Susanoo-no-mikoto, com Kushiinadahime e os oito filhos. A matéria de Susanoo conta o mito e o desterro. Aqui o nome importa porque é ele quem a página do santuário põe no mikoshi que a cidade carrega em julho.
“Mais de 1.150 anos” é a conta do Yasaka para a tradição da festa, não uma data de fundação do edifício que a página da divindade não publica. Os 66, os 34 e os 3 são números dessa página. Não se arredondam.
O sul, a mesa e a cerejeira
Fushimi, ao sul, aparece na JNTO como saquê. O santuário da montanha é outra matéria: Fushimi Inari Taisha publica a própria história, os portões e as raposas. A página de turismo não substitui a do jinja. As duas ficam no mesmo sul da cidade e não dizem a mesma coisa. Uji, ainda ao sul, é o chá verde que a JNTO chama de um dos mais antigos e estimados do país, em restaurantes de soba, em jardins de templo e no meio do caminho. De novo, o grau é o da página.
A especialidade que a JNTO descreve com ingredientes, e não só com elogio, é o yudōfu: tofu aquecido num caldo simples de água e kombu, com condimentos ao lado. A página apresenta Quioto como o lugar dessa comida porque a cidade seria o epicentro da cozinha budista, em que o yudōfu pesa. O epicentro é frase da JNTO. O caldo de água e kombu é a receita que ela publica. Não é missoshiru. A sopa de miso tem pasta, dashi e a ficha de quem a assinou. Confundir as duas é pedir em Quioto um prato e receber outro.
Kyo-yasai, na mesma página, são os legumes cultivados na região por séculos, antes do transporte moderno, quando se plantava o que o solo dava. Kyo-gashi é o doce de ocasião, e a página avisa que um nunca é exatamente igual a outro. Cerâmica, seda yuzen do fim do século XVII, brocado de Nishijin e leque de bambu entram como ofícios que a JNTO lista. Não são o roteiro de um dia. São o aviso de que a cidade publica mais do que templo.
Na primavera, a JNTO marca o fim de abril até maio para a cerejeira tardia, a yaezakura, de flor dobrada, e para o bordo novo, nos jardins de santuário e de templo. Um quadro na mesma página mostra uma previsão de floração com datas de 2024. Isso é um resto de calendário antigo no site, não a primavera deste texto. A matéria de sakura explica como o serviço meteorológico mede a flor, e por que uma data solta não se copia.
O parque Maruyama, no coração de Gion, é o que a JNTO chama de o parque de cerejeira mais famoso de Quioto. Na primeira metade de abril, a página do parque diz que moradores e visitantes enchem o lugar. A shidarezakura, a cerejeira-chorão, é iluminada à noite. Em março, o Higashiyama Hanatōrō espalha milhares de lanternas pelo parque e pelo entorno. São duas coisas: a flor da primeira metade de abril, e a lanterna de março. Não são o mesmo fim de semana só porque as duas cabem na estação.
Da estação de Quioto, os ônibus 100 ou 206 deixam na parada de Gion em cerca de 20 minutos. O parque é uma caminhada curta. Também se chega atravessando o Yasaka, de frente para a Shijō. Vinte minutos é o número da página do parque, não um tempo de trânsito garantido. A mala ficou no armário da estação, se a pessoa leu a outra página.
No verão, a JNTO lista refeição à beira do rio, pesca com cormorão, praia, o Gion de um mês inteiro e fogos pelos espíritos dos antepassados. O outono é folhagem, festa da lua da colheita, e caminhada nos montes Ponpon e Atago, no fresco. Cada estação tem dono na página. Nenhuma delas é um ingresso.
Quioto, neste portal, é o destino que se lê por essas páginas: 1.200 anos como frase da JNTO, julho inteiro como frase do Yasaka, 20 minutos de ônibus como frase do parque, e a rua que pede para não parar quem trabalha. O resto é a área que a pessoa escolher de manhã, com a mala já guardada.
Fontes
- Kyoto, Japan National Tourism Organization.
- Gion Festival, Yasaka Shrine.
- Enshrined Deity, Yasaka Shrine.
- Maruyama Park (Kyoto), Japan National Tourism Organization.
Perguntas frequentes
Quanto tempo leva do aeroporto a Quioto?
A JNTO diz que os aeroportos mais próximos são Itami e o Kansai Internacional, os dois na província de Osaka, a cerca de 1 hora e de 1 hora e meia, respectivamente. Não publica um minuto de shinkansen a partir de Tóquio.
Quando é o Gion Matsuri?
O Yasaka Jinja diz que a festa dura o mês inteiro de julho, com tradição de mais de 1.150 anos. Os pontos altos que a página marca são o Mikoshi-togyo e o Yamahoko-junkō, em 17 e 24 de julho.
Dá para fotografar uma maiko na rua?
A JNTO pede que não. Em Gion e Higashiyama pode passar uma geiko ou uma maiko, e a página pede que não se pare a pessoa, não se peça foto e não se toque na roupa, porque ela costuma ir atrasada para o compromisso. A alternativa que indica é uma experiência marcada no Gion Corner.
Maruyama é longe da estação?
A página da JNTO sobre o parque diz que os ônibus 100 ou 206, da estação de Quioto até a parada de Gion, levam cerca de 20 minutos. O parque fica a uma caminhada curta, e também se chega atravessando o Yasaka, que dá para a Shijō.