(Destinos)

Nara: a primeira capital, o cervo e o salão

Nara na página da JNTO e o Tōdai-ji nas páginas do templo: mil cervos, o salão de madeira, os horários e a hora e quinze do aeroporto.

Nicholas Nishimura 11 min de leitura

Pintura em sumi-e de cervos entre pinheiros, com o grande salão ao fundo e folhas de outono.

A página da Organização Nacional de Turismo do Japão abre Nara com rotas de peregrinação, templos antigos, cerejeiras e cervos, na primeira capital permanente do Japão. O parágrafo seguinte chama a prefeitura de serras sagradas, sítios espirituais e artefatos antigos. O coração político e religioso do Japão antigo, diz a mesma página, alcança-se com facilidade a partir de Osaka e de Quioto, e tem santuários e templos entre os mais antigos do país. Muitos desses sítios cultivam jardins de flores. O Parque de Nara abriga os cervos mansos que andam soltos. Ao lado, o templo Tōdai-ji guarda a estátua de bronze do Buda que a página chama de a maior do mundo. O “maior” é o superlativo da JNTO. O templo, nas páginas dele, mede outra coisa: chama o salão de madeira de o maior do mundo, e publica metros. As duas frases não se corrigem. Uma é bronze. A outra é madeira.

奈良

Nara

A primeira capital permanente, na frase da JNTO. O salão ao lado publica as próprias medidas.

Rotas de peregrinação importantes atravessam a área do monte Yoshino, que a página chama de sítio do Patrimônio Mundial e de lugar impressionante de cerejeiras na primavera. A matéria de sakura e hanami guarda o que outra página da JNTO diz sobre Yoshino. Esta fica com a linha de Nara: na primavera, a página manda ir ao monte Yoshino pelas cerejeiras mais espetaculares, e ao monte Katsuragi pelas azaleias. Também manda subir o monte Wakakusa, coberto de grama, com uma tumba antiga do século V. Não há, no texto extraído desta página de destino, um widget de previsão de flor com ano vencido para citar ou descartar. O que há é a estação e o monte.

Como chegar, sem misturar os relógios

Chega-se a Nara com facilidade a partir de Osaka ou de Quioto, os pontos de trânsito que a página chama de chave para a prefeitura. Os aeroportos mais próximos são o Osaka International, Itami, e o Kansai International, os dois na prefeitura de Osaka, a cerca de uma hora e quinze de ônibus e trem. A frase junta os dois aeroportos no mesmo “cerca de”. Não separa Itami de Kansai com dois minutos diferentes. A matéria de Osaka, lendo a página de lá, mede outro percurso: Quioto, Nara, Kobe e Wakayama a cerca de uma hora de trem a partir da estação de Osaka, ao norte, ou de Namba e Tennoji, ao sul. Uma hora de trem entre cidades e uma hora e quinze de aeroporto não são o mesmo relógio. As duas páginas cabem porque medem saídas diferentes. Nenhuma das duas é um horário de shinkansen.

O Parque de Nara e Naramachi são acessíveis a partir da estação de Nara e da estação Kintetsu Nara. Um ônibus leva aos sítios do palácio Heijō e do templo Hōryū-ji. Os trens Kintetsu vão às cidades antigas ao longo da rota Yamanobe-no-Michi e aos acessos das trilhas de peregrinação na montanha, em direção à fronteira com a prefeitura de Wakayama. A página não imprime o número da linha nem o minuto. Imprime o tipo de transporte e o nome do lugar.

O que a mesma página diz para não perder cabe em três linhas. Templos antigos, incluindo algumas das estruturas mais antigas do mundo no Hōryū-ji. O “mais antigas do mundo” é a frase da JNTO, não uma data de viga medida por este portal. Rotas sagradas de peregrinação e caminhadas ao longo da estrada mais antiga do Japão, a Yamanobe-no-michi. De novo o superlativo é o da página. E alimentar alguns dos mil cervos mansos do parque. Mil é o número impresso. “Alguns” também é o da página: não se alimenta o rebanho inteiro numa frase de guia.

A capital que o portal lê como cidade de hoje, com o santuário da floresta e o templo de Asakusa, está na matéria de Tóquio. A JNTO, nesta página de Nara, não compara as duas. Chama Nara de primeira capital permanente. A comparação de visita fica por conta de quem já tem as duas matérias. Não é um ranking que a página de destino tenha publicado.

O cervo, e o que a página não regula

O parque é casa dos cervos famosamente mansos, que andam soltos. O número, na lista do que não perder, é mil. O gesto que a página recomenda é alimentar alguns deles. Não imprime, nesta página de destino, uma regra de reverência, um preço de bolacha, uma quota por pessoa nem a data de uma cerimônia de galhadas. O que não está na página não vira etiqueta deste texto. Alimentar, aqui, é o convite da JNTO. O modo do parque, se houver placa no chão, é o da placa, não um complemento inventado para fechar o parágrafo.

Em volta do parque, a página destaca atrações que lista como em evidência: o santuário Kasuga Taisha, a cidade de Imaichō, o templo Kōfuku-ji, Naramachi e Wakakusa. Não descreve, nessa lista, o salão de cada um. Os nomes bastam para o mapa dela. O verão, mais adiante, manda às trilhas frescas e sombreadas do monte Kasuga, ou a uma caminhada pelo vale Mitarai. Também manda ver festas de verão, entre elas o festival Tenpyō e o Obon no Kasuga Taisha, e provar sōmen gelado. O outono manda passear pelo jardim Isuien ou visitar santuários e templos de montanha como Ōno-ji e Hasedera, conhecidos, diz a página, pela folhagem. Muitos museus, no outono, têm exposições de bens culturais importantes. O inverno manda à caminhada com raquete de neve no silêncio, e depois a um banho de fonte. O onsen dessa frase é o banho com a regra da casa que recebe. A página de Nara não nomeia a fonte. Nomeia a estação. Também manda a alguns copos de saquê e a um Ano-Novo tradicional em templos e santuários por toda a prefeitura. Não lista qual templo abre à meia-noite.

O salão, com as medidas do templo

O Tōdai-ji, na página inglesa do próprio templo, fica em 406-1 Zoushi-cho, Nara-shi, Nara-ken, 630-8587. O telefone é 0742-22-5511. O fax, 0742-22-0808. Fumar e fotografar com drone são proibidos no recinto. Quem chega de motocicleta ou de bicicleta estaciona no bicicletário a sudoeste do Grande Portão Sul, antes da visita. Empurrar a motocicleta ou a bicicleta com as mãos e entrar no recinto a pé é proibido. A página japonesa do templo acrescenta o que a inglesa, no trecho lido, não diz: não há estacionamento próprio para carro de passeio nem para ônibus de turismo, e se usam os pátios vizinhos. As duas páginas são do templo. Uma regula o fumo, o drone e as duas rodas. A outra avisa que o carro grande fica de fora do terreno.

O Grande Salão do Buda é o salão principal, kondō, do Tōdai-ji. Construído primeiro no período Nara, foi destruído duas vezes pelo fogo, em 1180 e de novo em 1567. A estrutura atual, do período Edo, foi erguida sob a direção do monge Kōkei. O salão original e o reconstruído em 1195 tinham onze vãos de largura. O atual foi reduzido a sete vãos, porque os fundos eram limitados. A altura e a profundidade, diz a página, permanecem as do original. O Grande Salão é, na frase do templo, a maior estrutura de madeira do mundo. As dimensões impressas: largura 57,012 metros, comprimento 50,480 metros, altura 48,742 metros. São os números da página, com as três casas. Não se arredonda para um cartão.

Desenhar e usar lanterna são proibidos dentro do salão. Fotos comemorativas podem ser feitas livremente no corredor, na aproximação e dentro do salão. Foto de grupo e tripé são proibidos. Reproduzir, reimprimir, processar ou vender imagens do templo para publicidade, comércio ou fim lucrativo é proibido. A página de horários acrescenta um áudio-guia logo depois da bilheteria do salão, a 15 metros, diante do portão Chūmon. O aluguel é 500 ienes por pessoa e inclui caneta de toque, fone e mapa. Não exige reserva, salvo grupos de 10 ou mais. A recepção funciona das 10h às 17h de abril a outubro, e das 10h às 16h30 de novembro a março. Com mau tempo, o serviço pode ser cancelado. A gravação, diz a página, dura 30 minutos. Perguntas sobre o áudio-guia não se fazem por telefone. Fazem-se por e-mail.

A oferta é cobrada no Grande Salão, no Hokke-dō, no Kaidan-dō e no museu do Tōdai-ji. A tabela de entrada separa individual e grupo de 30 ou mais. Adulto: 800 ienes e 700. De 16 a 18 anos: 800 e 500. De 13 a 15: 800 e 400. De 6 a 12: 400 e 200. O passe conjunto do Grande Salão com o museu é outra tabela: adulto 1.200 ienes, de 6 a 12 anos 600. Compra-se no museu ou no salão. A página não diz que o passe substitui a oferta do Hokke-dō ou do Kaidan-dō. Diz o que o nome diz: salão e museu.

Os horários não são um só. O Grande Salão: de abril a outubro, 7h30 às 17h30; de novembro a março, 8h às 17h. Hokke-dō, também Sangatsu-dō, e o Senju-dō no Kaidan-in: 8h30 às 16h, numa coluna só, sem a divisão de estação que o salão principal tem. O museu: de abril a outubro, 9h30 às 17h30, último ingresso às 17h; de novembro a março, 9h30 às 17h, último ingresso às 16h30. Quem lê só o salão perde o último ingresso do museu. Quem lê só o museu perde a abertura das 7h30.

O Buda do salão é, na página do templo, propriamente Vairocana. A mesma página situa Śākyamuni, o Buda histórico, nascido em Kapilavastu por volta de 580 antes da era comum, e liga o mundo de Vairocana ao sutra Avatamsaka, o Kegon-kyō. Nas pétalas de lótus da base há gravuras do Mundo do Tesouro de Lótus. A lanterna octogonal diante do salão data da fundação. A página não publica, nesse texto, a altura da estátua de bronze. O “maior bronze do mundo” continua sendo a frase da JNTO, não um metro impresso na página do salão.

A página do século VIII conta o reinado em que a obra nasceu. Os bens do imperador Shōmu guardados no Shōsō-in, antigo tesouro do templo, lembram as glórias do período Nara. A política e a vida social, diz a página, não eram particularmente pacíficas. Por mais de dez anos, lutas por autoridade, epidemias de varíola e rebeliões continuaram. Shōmu, vendo na religião o meio de curar o tempo e de pedir paz para a nação e prosperidade para o povo, reafirmou a devoção budista. Em 741 emitiu um édito de um sistema nacional de mosteiros, os kokubun-ji. Em 743, outro édito anunciou a imagem monumental de Vairocana. Em 749 deixou claro que considerava o sutra Avatamsaka o mais fundamental dos textos budistas.

Depois de devolver a sede do governo a Heijō, Nara, em 745, a construção do Grande Buda Vairocana começou no terreno do Kinshō-ji, templo predecessor do Tōdai-ji. A imagem colossal de bronze foi fundida em oito etapas ao longo de três anos e terminou em 749. O Grande Salão terminou em 751. No quarto mês de 752 houve a grande cerimônia de consagração. A obra, diz a página, realizou-se com muita gente, entre eles Rōben, 689–773, primeiro abade-chefe, e o monge Gyōki, 668–749, que arregimentou o esforço do povo pela coleta de donativos. São as datas e os nomes que a página do século VIII imprime. O fogo de 1180 e o de 1567, e os sete vãos atuais, estão na página do salão, não nesta. As duas se leem juntas sem fundir a consagração de 752 com a estrutura de Edo.

O que a prefeitura come, pinta e bate

A página da JNTO lista especialidades com as frases dela. Nara-zuke: um modo de conservar legumes e fruta praticado em Nara há mais de 1.300 anos. O equilíbrio de salgado e doce, diz a página, complementa arroz branco recém-cozido no vapor. Miwa sōmen: macarrão muito fino, de farinha e das águas macias de Miwa. Ferve em menos de dois minutos. É favorito nos meses quentes de verão, comido frio num caldo gelado de molho de soja e peixe. O “menos de dois minutos” é o tempo que a página imprime para esse macarrão. Não é uma receita completa, e não se transporta para outro prato.

Pincéis de Nara: um monge budista de volta da China introduziu a feitura de pincéis no Japão. Feitos primeiro em Nara há cerca de 1.200 anos, os nara fude caracterizam-se pela mistura de pelos, escolhidos de dez ou mais animais diferentes. Precisam equilibrar dureza, maciez, comprimento, elasticidade e flexibilidade. Batedores de chá de Takayama: Takayama produz quase todos os batedores de chá do Japão. A forma, o tipo de bambu e o detalhe variam conforme o uso e a escola de chá. A tigela e a água do pó estão na matéria de chá e matcha. O batedor, nesta página, nasce em Takayama, em Nara. Chá Yamato: a região, antes chamada Yamato, é uma das principais áreas produtoras de chá do Japão. O chá começou a ser produzido ali há 1.200 anos, quando o monge legendário Kūkai trouxe da China sementes de planta de chá preto. A página diz isso. Nara, acrescenta, é hoje famosa também pelo chá verde. Kakinoha sushi: legumes e peixe cozido ou curado num molde de madeira, cobertos com arroz de sushi, comprimidos em retângulo, retirados e embrulhados numa folha de caqui.

Os 1.300 anos, os 1.200, os dez animais, o “quase todos” dos batedores e as sementes de chá preto são frases da JNTO. O que a visita pede no chão do templo é o horário da estação, a oferta da faixa etária e o estacionamento que a página japonesa diz não existir dentro do recinto.

Fontes

Perguntas frequentes

Quantos cervos a página de turismo conta?

A JNTO põe, entre o que não se deve perder, alimentar alguns dos mil cervos mansos do Parque de Nara. A mesma página não imprime regra de reverência, preço de bolacha nem data de corte de galhada.

Que horário tem o salão do Grande Buda?

A página de horários do Tōdai-ji imprime, para o Grande Salão, 7h30 às 17h30 de abril a outubro e 8h às 17h de novembro a março. O museu do templo tem outra tabela, com último ingresso.

Quanto custa entrar?

A oferta individual de adulto é 800 ienes. De grupo, a partir de 30 pessoas, 700. Dos 6 aos 12 anos, 400 individual e 200 em grupo. O passe conjunto do salão com o museu é outro número: 1.200 para adulto e 600 dos 6 aos 12.

Como a JNTO mede a chegada desde o aeroporto?

Os aeroportos mais próximos são Itami e o Kansai Internacional, os dois na prefeitura de Osaka, a cerca de uma hora e quinze de ônibus e trem. A hora de trem entre as estações, na matéria de Osaka, é outra conta.