(Santuários)

Itsukushima: o santuário onde a maré entra e sai

Itsukushima nas páginas do santuário: as três deusas, 593, a obra de 1168, horário e preço. O portão que parece flutuar fica na matéria do torii.

Nicholas Nishimura 10 min de leitura

Pintura em sumi-e do torii vermelho de Itsukushima sobre a água, com pinheiros e montanhas na névoa.

Itsukushima, nas páginas em inglês do próprio santuário, é o lugar das três deusas, construído onde a maré enche e vaza. A página de história dá o juramento, o ano 593, a reconstrução de 1168 e a lista de quem patrocinou o recinto depois. A página de admissão dá o horário, o preço, o sapato e a fresta do assoalho. Nenhuma das duas descreve a altura do portão no mar, nem a hora em que a areia aparece. O portão que parece flutuar, neste portal, continua na matéria do torii. Esta matéria fica com o que o santuário imprime de si.

厳島

Itsukushima

O santuário imprime a maré no lugar e no assoalho. Não imprime a medida do portão.

As três deusas e o ano 593

As deidades consagradas, no alto da página de história, são três. A página imprime primeiro os nomes em japonês: 市杵島姫命, 田心姫命 e 湍津姫命. Ao lado, as leituras que a mesma página escreve em alfabeto latino: Ichikishimahime-no-mikoto, Tagorihime-no-mikoto e Tagitsuhime-no-mikoto. São três nomes. Não é uma deusa com três títulos.

As três deidades do santuário nasceram quando Amaterasu Ōmikami, que a página glosa como deusa do sol, e o irmão dela, Susanoo-no-mikoto, fizeram um juramento na Planície Celeste, usando uma joia e uma espada. A kami do sol, neste portal, está na matéria de Amaterasu. O irmão está na matéria de Susanoo. A página do santuário não reconta a caverna nem a espada de Orochi. Usa o juramento, a joia e a espada como o nascimento destas três. Desde a Antiguidade, segue o texto, elas foram reverenciadas e cultuadas como deidades que asseguram o bem-estar da família imperial, guardam a nação e protegem os navegantes. Três funções, na mesma frase. A página não separa um santuário para cada função.

Quando as deidades procuravam o melhor lugar para se fixar, Saeki no Kuramoto, que governava a ilha, recebeu um oráculo. Guiado por um corvo divino da Planície Celeste, navegou em volta da ilha com as deidades e decidiu construir um santuário neste lugar, onde a maré enche e vaza. “Onde a maré enche e vaza” é a frase da página para o sítio. Não é uma tábua de maré, nem a altura de um pilar. É o critério que o texto dá para a escolha.

Segundo um registro antigo, isso ocorreu em 593, o ano em que a imperatriz Suiko subiu ao trono. “Segundo um registro antigo” é a atribuição da data. O ano e o trono de Suiko estão nessa frase. A página não imprime o nome do registro, nem o dia, nem uma citação mais longa. O 593 fica como o ano que esse registro, na frase do santuário, associa à escolha do lugar.

Kiyomori, 1168, e a cultura que veio de Quioto

Em 1168, Taira no Kiyomori, que cultuava no santuário, reconstruiu-o no estilo shinden-zukuri. A página glosa o estilo: um modo de construir em que, naqueles dias, se faziam as residências da nobreza. A glosa fica. Esta matéria não acrescenta uma planta, um número de vãos nem uma medida de corredor que a página não deu. O ano da reconstrução é 1168. O nome de quem reconstruiu é Kiyomori. O estilo é o que a página chama de shinden-zukuri, com aquela explicação.

À medida que Kiyomori assumia postos mais altos na corte imperial, não só o clã Taira, mas muitas outras pessoas eminentes visitaram o santuário, incluindo membros da família imperial e aristocratas. A página nomeia dois. O antigo imperador Goshirakawa, que tinha entrado numa ordem budista, em 1174. O imperador retirado Takakura, em março e em setembro de 1180. Trouxeram com eles a cultura de Quioto. A cidade, neste portal, está na matéria de Quioto. A página do santuário não descreve o que essa cultura incluía: não há um objeto, um poema nem um rito de chegada. Há as duas visitas datadas, a ordem budista de Goshirakawa, e a frase de que trouxeram a cultura daquela cidade. Março e setembro de 1180 são duas vindas de Takakura, não uma temporada contínua. A página não diz o que ele fez em cada mês.

Depois dos Taira, até o ano 1996

Depois do regime dos Taira, o santuário foi reverenciado e patrocinado pelo clã Genji, então no poder. Depois, por Ashikaga Takauji (1305–1358), por Ashikaga Yoshimitsu (1358–1408) e por outros xoguns do período Muromachi. E pelos clãs Ōuchi e Mōri, no período dos Estados em Guerra. A página dá os anos de vida entre parênteses para Takauji e para Yoshimitsu. Não dá o ano de uma visita de cada um, ao contrário do que fez com Goshirakawa e com Takakura. Os Ōuchi e os Mōri entram como patrocinadores do período, sem um ano ao lado do nome. Esta matéria não inventa esse ano.

“Miyajima da província de Aki” tornou-se conhecida como um dos três lugares mais cênicos do Japão, junto com Matsushima e Amanohashidate. A frase é da página. Os três nomes ficam. A página não imprime quem fez a lista, nem o século em que a lista pegou, nem uma ordem entre os três. Em 1996, o santuário de Itsukushima foi registrado como patrimônio cultural mundial da UNESCO. O ano está impresso. O dia não está. Outro registro de 1996, o do domo, está na matéria de Hiroshima e não é este sítio. Não se transporta o dia do domo para esta frase, que só tem o ano.

O endereço, no fim da página de história e de novo no fim da página de admissão, é 1-1 Miyajima-cho, Hatsukaichi, Hiroshima 739-0588. A cidade e o parque, neste portal, estão na matéria de Hiroshima. O elétrico que a cidade descreve tem, entre os destinos, Miyajima-guchi. A página do parque, naquela matéria, não descreve a maré nem este santuário. Esta página do santuário não descreve o domo, o museu nem o preço do parque. O que as duas compartilham é o nome da prefeitura no endereço, e a ilha que o letreiro do elétrico anuncia.

O horário e o preço, como a admissão os imprime

A página inglesa de admissão divide o horário do santuário por trechos do ano.

  • 1 de janeiro: da meia-noite, que a página escreve 12 a.m., às 6:30 p.m.
  • 2 e 3 de janeiro: 6:30 a.m. às 6:30 p.m.
  • de 4 de janeiro ao fim de fevereiro: 6:30 a.m. às 5:30 p.m.
  • de 1 de março a 14 de outubro: 6:30 a.m. às 6:00 p.m.
  • de 15 de outubro a 30 de novembro: 6:30 a.m. às 5:30 p.m.
  • de 1 a 31 de dezembro: 6:30 a.m. às 5:00 p.m.

“Fim de fevereiro” fica como a página escreve. Não se troca por 28 nem por 29. O 1 de janeiro começa à meia-noite na leitura de 12 a.m. O resto dos trechos começa às 6:30 da manhã. O que muda é a hora de fechar.

O salão do tesouro abre das 8 a.m. às 5 p.m. durante o ano inteiro. O Senjōkaku abre das 8:30 a.m. às 4:30 p.m. durante o ano inteiro. São dois relógios que não seguem a tabela do santuário. Dezembro, no santuário, fecha às 5:00 p.m. O salão do tesouro, na linha dele, continua até as 5 p.m. o ano inteiro, inclusive no trecho em que o santuário fecha mais cedo ou abre mais tarde. A página não diz que os três portões usam o mesmo cadeado.

Os preços de indivíduo, em ienes, na tabela que separa santuário, salão do tesouro e bilhete combinado:

  • adulto: 300, 300 e 500
  • ensino médio: 200, 200 e 300
  • a linha que a página chama de elementary e junior high, ensino fundamental e ginásio juntos: 100, 100 e 150

Grupos de 50 pessoas ou mais, na mesma faixa de idade:

  • adulto: 250, 250 e 400
  • ensino médio: 150, 150 e 200
  • fundamental e ginásio, na mesma linha junta: 70, 70 e 100

Três notas acompanham a tabela. O bilhete combinado do santuário e do salão do tesouro só se obtém na entrada do santuário de Itsukushima. Em viagens escolares, a entrada de professores, fotógrafos do grupo e enfermeiros é a mesma dos estudantes. O desconto de grupo aplica-se a grupos de 50 ou mais na mesma faixa de idade. “A mesma faixa” é a condição. Cinquenta pessoas de idades misturadas não são, por esta nota, o grupo que a tabela nomeia.

O Senjōkaku tem outra tabela, curta. Adulto, 100 ienes. Ensino fundamental e ginásio, na linha da página, 50 ienes. A página inglesa não imprime, para esse salão, uma linha de ensino médio, nem um combinado, nem um desconto de grupo. O que não está impresso não se completa com a tabela de cima.

A página não imprime um dia de fechamento semanal. O que ela fecha é a hora, trecho por trecho. O 1 de janeiro é o único dia que abre à meia-noite. Os dias 2 e 3 ainda fecham às 18:30, mas abrem às 6:30, como o resto do ano. Quem chega às 7 da manhã em março está dentro do trecho de 1 de março a 14 de outubro. Quem chega às 18:15 em dezembro já passou das 17:00 impressas para esse mês.

A maré no assoalho, e o portão que esta página não mede

A mesma página de admissão avisa: os corredores do santuário têm pequenos espaços entre as tábuas do assoalho, para aliviar a pressão do mar na maré alta. Pede-se sapato confortável. Salto alto pode prender-se nos espaços. É a frase operacional da maré. O mar sobe o bastante, nessa explicação, para a pressão chegar ao assoalho, e o assoalho foi feito com fresta. A página não imprime o centímetro da maré, nem a hora do pico, nem um calendário de visita “melhor”. Imprime o sapato.

A história, no trecho da escolha do lugar, já tinha dito que a maré enche e vaza. A admissão diz o que isso pede do chão e do pé. As duas frases são do santuário. Nenhuma delas é a ficha do portão.

O portão de Itsukushima, na ilha de Miyajima, está na matéria do torii. Aquela matéria diz que o portão parece flutuar na maré cheia e que, na maré baixa, dá para chegar perto pelo banco de areia. Também diz que não se escala e que não se arranca lasca. Essas frases são daquela matéria, não uma medida nova tirada da página de história ou da página de admissão. Estas duas páginas do santuário não imprimem a altura do portão, o estilo do torii, nem um preço separado para atravessar a areia. Não se completa o silêncio com um número de outra ficha de viagem.

A matéria de Benten, neste portal, nomeia Itsukushima em Aki como um dos lugares para onde o culto de Uga Benten se espalhou, e, noutro verbete, como um dos santuários cujo familiar é o cervo. A página de história deste santuário não nomeia Benzaiten, não nomeia Uga, não nomeia o cervo e não nomeia a cobra. Nomeia as três deusas do juramento da joia e da espada. O mesmo nome de ilha entra em matérias diferentes com funções diferentes. Esta não funde a deusa do santuário com a da lista dos sete.

O que o santuário publica de si, nestas duas páginas, é a lista das três, o oráculo e o corvo, o 593 atribuído a um registro antigo, a reconstrução de Kiyomori em 1168 no estilo que a página glosa, as visitas de 1174 e de 1180, o patrocínio posterior até os Ōuchi e os Mōri, o trio cênico com Matsushima e Amanohashidate, o registro de 1996 sem o dia, o endereço em Hatsukaichi, a tabela de horas, a tabela de ienes, a fresta do assoalho e o sapato. O que não publica é a altura do portão e o relógio da maré. Quem vier por causa da fotografia do portão no mar encontra, aqui, o santuário que a maré alcança, e encontra o portão na matéria que já o descreveu como portão.

Fontes

Perguntas frequentes

Quem está consagrado em Itsukushima?

A página de história do santuário nomeia três deusas: Ichikishimahime-no-mikoto, Tagorihime-no-mikoto e Tagitsuhime-no-mikoto. Nasceram quando Amaterasu e Susanoo fizeram um juramento na Planície Celeste, com uma joia e uma espada. A página não nomeia Benzaiten.

Quanto custa entrar?

Na página inglesa de admissão, o adulto paga 300 ienes no santuário, 300 no salão do tesouro e 500 no bilhete combinado. O ensino médio paga 200, 200 e 300. A linha que a página junta como ensino fundamental e ginásio paga 100, 100 e 150. Grupo de 50 ou mais, na mesma faixa, paga menos, e o combinado só se compra na entrada do santuário.

A que horas abre?

Depende do dia, na mesma página. 1 de janeiro, da meia-noite, que a página escreve 12 a.m., às 18:30. 2 e 3 de janeiro, das 6:30 às 18:30. De 4 de janeiro ao fim de fevereiro, das 6:30 às 17:30. De 1 de março a 14 de outubro, das 6:30 às 18:00. De 15 de outubro a 30 de novembro, das 6:30 às 17:30. Dezembro, das 6:30 às 17:00. O salão do tesouro é das 8:00 às 17:00 o ano inteiro. O Senjōkaku é das 8:30 às 16:30 o ano inteiro.

O torii flutuante está medido nestas páginas?

Não. A história diz que o lugar foi escolhido onde a maré enche e vaza. A admissão diz que o corredor tem frestas entre as tábuas para aliviar a pressão do mar na maré alta, e pede sapato confortável. Nenhuma das duas imprime a altura do portão nem um horário de maré. O portão que parece flutuar está na matéria do torii.