(Festivais)

Tanabata: a sétima noite e o agosto de Sendai

Tanabata no verbete de Yumiyama Tatsuya e na página de Sendai: 7 de julho, o tanzaku, e a festa da cidade de 6 a 8 de agosto.

Nicholas Nishimura 10 min de leitura

Pintura em sumi-e de bambus com tiras douradas sob um céu de estrelas.

Tanabata, no verbete de Yumiyama Tatsuya na Encyclopedia of Shinto, faz-se no sétimo dia do sétimo mês, isto é, 7 de julho. É uma das cinco festas sazonais, gosekku, reconhecidas e estabelecidas pelo bakufu Tokugawa. O verbete não nomeia as outras quatro nessa entrada. Diz que esta é uma delas, e que o bakufu a reconheceu. Também se conhece por hoshi-matsuri, a festa das estrelas. A primeira menção que a página imprime está no Código Yōrō, no século VII, como um dos eventos do ano. A origem, na mesma página, é uma tradição popular chinesa. O código japonês e a origem chinesa estão lado a lado: um data a menção, o outro diz de onde a história veio.

七夕

tanabata

A sétima noite, na leitura que Yumiyama Tatsuya dá ao nome chinês.

A noite em que o céu deixa passar

Segundo uma história chinesa antiga, dois amantes atravessavam o céu separados: o Boieiro, Altair, na constelação de Águia, e a Tecelã, Vega, na constelação de Lira. Podiam cruzar a Via Láctea e ficar juntos uma vez por ano, se o céu estivesse limpo. Esse dia chamava-se Qi Xi, “sétima noite”, lido tanabata em japonês. Havia no Japão um mito parecido, o da tecelã santa Tanabatatsume, à letra a moça do tear de prateleira, que espera na cabana junto ao rio, isto é, a Via Láctea, a visita de uma noite por ano de um kami. Esse mito fundiu-se com o conto chinês da Tecelã. O verbete apresenta a fusão como o modo de a festa existir. Não imprime o século da fusão. Imprime o Código Yōrō como primeira menção japonesa do evento, e a origem chinesa como o chão da história dos dois amantes.

Ligado à festa está o kikōden, também escrito kikkōden, em que as mulheres pedem melhora na tecelagem e na caligrafia. O verbete não separa esse pedido do encontro das estrelas. Põe os dois no mesmo ciclo: a Tecelã do conto chinês e a habilidade que se pede na terra. Na corte do período Heian, a oferta era concreta. Espetavam-se comidas da terra e do mar, e a página nomeia três: peras, pêssegos e dourada seca. O espeto eram sete agulhas de ouro e sete de prata. O fio tinha cinco cores, e a página enumera as cinco: azul, amarelo, vermelho, branco e preto. Isso era a oferta de tanabata. Havia ainda um banquete. O imperador observava o encontro das estrelas. Havia poesia, cantos e música instrumental. A página descreve a corte. Não dá o endereço de um palácio que se visite hoje, nem o cardápio além desses três alimentos, nem o instrumento da música. A cidade de Quioto, neste portal, lê-se pela festa de julho e pela rua. O banquete desta página é o que Yumiyama Tatsuya atribui à corte de Heian.

O céu limpo é condição do conto, não enfeite. Os dois amantes só se encontram se o céu deixar ver a travessia. O verbete não diz o que a casa faz quando chove. Diz a condição. Altair e Vega são os nomes que a página dá às estrelas, com as constelações Águia e Lira. Tanabatatsume é o nome japonês da moça do tear, à espera na cabana junto ao rio que a página identifica com a Via Láctea. A visita do kami dura uma noite e volta no ano seguinte. A fusão, na frase do verbete, é entre esse mito e o conto chinês da Tecelã. Quem lê não recebe duas festas. Recebe uma festa em que as duas histórias passaram a ocupar o mesmo dia.

O papel, o bambu e a manhã seguinte

Hoje, escreve o verbete, as pessoas escrevem poemas ou pedidos em tiras de papel, tanzaku, recortam estrelas e outras formas em papel de cor, e enfeitam com isso um caule de bambu. Os caules costumam ser soltos na manhã seguinte, em rios, riachos e no mar. Alguns creem que a prática vem das aulas de leitura e escrita do período Edo. “Alguns creem” não é um decreto. O bakufu, nessa página, entra antes: reconheceu a festa como uma das cinco sazonais. Não entra como autor do papel no bambu. O papel é o costume de agora. A explicação por Edo é de parte de quem observa, na frase do verbete, e a página não diz que essa parte tem razão.

Nalgumas zonas, marionetas em forma de cavalo, ou outros objetos, substituem o caule de bambu. O verbete não diz em que província o cavalo aparece, nem de que é feito. Diz que substitui o bambu. Noutras zonas a festa inclui acender tochas. Também não nomeia o lugar. Noutras ainda existe o nanoka-bon, o bon do sétimo dia, em que o tanabata se combina com o bon. Apesar das variações, as festas que marcam o dia são, na frase do verbete, mais um caso em que as pessoas recebem os kami e os antepassados para a ocasião e os despedem depois de passarem a noite. O recebimento e a despedida cabem no bambu, no cavalo, na tocha e no bon do sétimo dia. A página não escolhe um gesto como o único verdadeiro. Põe a noite em comum. A corda que marca a fronteira de um kami noutro dia do ano está na matéria da shimenawa. O verbete de Yumiyama não descreve a corda. Descreve a noite em que o kami e o antepassado são recebidos e, depois, mandados embora.

A placa de madeira em que se escreve um pedido no santuário é outra matéria, a do ema. O tanzaku desta página é tira de papel no bambu, solta na água na manhã seguinte. A placa fica no santuário até o ciclo que a matéria dela descreve. Os dois são escrita de pedido. Não são o mesmo objeto, e o verbete só nomeia o papel.

A outra virada de calendário com matéria própria neste portal é o Setsubun, a véspera da primavera nos verbetes de Kokugakuin. Não é uma das cinco festas sazonais que Yumiyama lista pelo nome de gosekku. Ele não enumera as outras quatro. Diz que tanabata é uma delas. A flor de sakura e hanami é outra festa deste portal, lida pela árvore. O tanabata do verbete é 7 de julho, com a condição do céu limpo para o encontro das estrelas. A flor não divide esse dia na página de Yumiyama.

Três festas grandes, e o que o verbete não iguala

Celebrações de grande escala bem conhecidas, escreve o verbete, incluem o matsuri de Tanabata de Sendai, que começou na tentativa de ajudar a reanimar a economia nos anos do pós-guerra; o festival Nebuta de Aomori, em que se carregam lanternas de papel machê, tōrō, de tamanhos e formas vários; e o festival Kantō de Akita, em que os participantes atravessam as ruas com o kantō, uma construção de numerosas lanternas de papel equilibradas em varas altas de bambu. As três, diz a página, têm claramente muitos elementos turísticos e as características do evento encenado. O verbete põe as três no mesmo parágrafo. Não diz que a lanterna de Aomori é o tanzaku da corte, nem que a vara de Akita é o caule que se solta no rio. Diz que são celebrações de tanabata em grande escala, com esse caráter de palco e de turismo. Quem for a Aomori à procura do fio de cinco cores da corte de Heian não o encontra nesta frase. Encontra a lanterna de papel machê.

O pós-guerra de Sendai, nessa página, é a origem econômica da festa grande: começou para ajudar a reanimar a economia. Não é uma data de calendário. O verbete não imprime agosto. Imprime 7 de julho para a festa, e o nome de Sendai para uma das três grandes.

O que a cidade de Sendai imprime em agosto

A página da cidade de Sendai sobre o festival e os eventos ligados, atualizada em 22 de julho de 2026, descreve outro calendário. O centro, nas ruas comerciais, enche-se de enfeites de bambu. A página chama a festa de celebração elegante de “papel e bambu” e usa a frase que se gaba de ser a maior do mundo. O superlativo fica nessa frase. Não está no verbete de Yumiyama, que fala de elementos turísticos e de evento encenado sem eleger uma festa como a maior. A festa da cidade realiza-se todos os anos em três dias, de 6 a 8 de agosto. O papel e o bambu aparecem nas duas fontes. O verbete põe o papel no tanzaku e o bambu no caule que se solta na água. A cidade põe o papel e o bambu no enfeite que colore a rua comercial. O gesto de soltar o caule no rio, na manhã seguinte, é só do verbete. A cidade não imprime esse gesto. O verbete de Yumiyama não imprime 6, 7 nem 8 de agosto. A página da cidade não imprime 7 de julho. As duas falam de Sendai e de bambu. Não falam do mesmo dia. Esta matéria não escolhe um para apagar o outro. O 7 de julho fica no verbete, como dia da festa das estrelas e das cinco sazonais. O 6 a 8 de agosto fica na página da cidade, como o festival do centro.

A mesma página anuncia um mapa digital, no projeto Sendai MaaS, com concurso de enfeites de tanabata, roteiros, um carimbo digital e outros eventos. Não imprime o preço do carimbo nem a lista dos enfeites. Nomeia o que o mapa contém. A véspera, 5 de agosto, é a data que a página dá ao festival de fogo de artifício de Sendai, apresentado como evento ligado e como o fogo de artifício representativo da cidade. O verbete não menciona fogo de artifício. De 6 a 8 de agosto, o Tanabata Night Festival ilumina a zona do parque Aobayama. A página descreve a luz no sítio do castelo de Sendai, um palco, um salão com vista da noite, e outros pontos da área: Zuihōden e o Sendai Ryokusai-kan. A luz vai das 19:00 às 21:00. O fogo de artifício e a luz noturna são eventos da página da cidade. Não estão no verbete de Yumiyama. Não se transportam para o século VII nem para a corte de Heian.

O contato que a página imprime é a seção de estratégia de turismo, na sede da cidade, Aoba-ku, Kokubunchō 3-7-1, quarto andar, telefone 022-214-8259. A página aponta para um sítio do festival fora da prefeitura. O que esta matéria usa é o que a própria página da cidade escreve: os três dias, o papel e o bambu, a frase do superlativo, a véspera do fogo de artifício e a luz até às 21:00. O verbete não tem telefone nem endereço de secretaria. A cidade não tem Altair nem Vega. Quem viaja em agosto segue a página da cidade. Quem lê a sétima noite segue o verbete.

Quem lê as duas fontes segue com dois calendários assinados. O de Yumiyama Tatsuya é o da sétima noite, com o Boieiro e a Tecelã, a tecelã da cabana, a corte de Heian, o papel no bambu e a manhã na água, e com Sendai, Aomori e Akita como festas grandes de palco. O da cidade de Sendai é o de agosto, de 6 a 8, com o enfeite de bambu no centro e a luz até às 21:00. O céu limpo de que depende o encontro das estrelas está só no verbete. A página da cidade não condiciona a festa ao tempo.

Fontes

Perguntas frequentes

Em que dia o verbete põe a festa?

No sétimo dia do sétimo mês, isto é, 7 de julho. Yumiyama Tatsuya chama-a também hoshi-matsuri, festa das estrelas, e uma das cinco festas sazonais, gosekku, reconhecidas pelo bakufu Tokugawa. A primeira menção que ele imprime é o Código Yōrō, no século VII.

Por que a página de Sendai fala em agosto?

A página da cidade, atualizada em 22 de julho de 2026, imprime a festa do centro em três dias, de 6 a 8 de agosto de cada ano. O verbete não imprime essas datas para Sendai. Imprime 7 de julho para a festa, e trata o Tanabata de Sendai como celebração de grande escala do pós-guerra. As duas frases não se fundem num dia só.

O que se escreve no bambu?

Poemas ou pedidos em tiras de papel, tanzaku, e estrelas e outras formas recortadas em papel de cor. Enfeitam um caule de bambu. No dia seguinte de manhã, os caules costumam ser soltos em rios, riachos e no mar. Alguns, diz o verbete, creem que o costume vem das aulas de leitura e escrita do período Edo.

Nebuta e Kantō são o mesmo rito do bambu?

O verbete agrupa três festas de grande escala: o Tanabata de Sendai, o Nebuta de Aomori, com lanternas de papel machê, e o Kantō de Akita, com lanternas de papel em varas altas de bambu. Diz que as três têm muitos elementos turísticos e o caráter de evento encenado. Não diz que a lanterna de Aomori é o tanzaku da corte de Heian.