(Santuários)

Kiyomizu-dera: o palco e a água de Otowa

Kiyomizu-dera nas páginas do templo e na JNTO: 778, o palco, os horários de 2026 e o ano de registro que as páginas não igualam.

Nicholas Nishimura 11 min de leitura

Pintura em sumi-e do palco de madeira sobre a encosta, com névoa e um pagode ao fundo.

Otowa-san Kiyomizu-dera, na página de história do próprio templo, foi fundado em 778. A história, diz a mesma página, passa de 1250 anos. O lugar é sagrado porque ali prevalece a grande compaixão do Kannon, e o templo esteve aberto, ao longo desse tempo, a gente de todas as classes. Livros de história e literatura descrevem multidões em visita. O terreno espalha-se por 130.000 metros quadrados a meia encosta do monte Otowa, na parte leste de Quioto. Nele estão trinta edifícios budistas, entre eles o Salão Principal, tesouro nacional, e outros bens culturais importantes. Desde a fundação, a maior parte dos edifícios foi destruída pelo fogo mais de dez vezes. Foram reconstruídos, diz a página, graças aos fiéis. A maior parte dos edifícios atuais foi reconstruída em 1633.

清水寺

Kiyomizu-dera

Água pura, o nome que a página de história tira da queda de Otowa.

A queda, o monge e o guerreiro

A página chama o relato de origem de um livro, The Origin of Kiyomizu-dera Temple. Um velho de branco apareceu em sonho a Kenshin, monge que levara vida ascética em Nara, e deu-lhe esta revelação: “Parte desta região do sul.” Kenshin caminhou para o norte e achou uma queda de água pura e forte no monte Otowa, em Quioto. Encontrou também o sacerdote Gyoei-koji, eremita que tinha uma cela e praticava ascese perto da água. Gyoei-koji deu-lhe uma árvore sagrada, digna de virar estátua de Kannon, e disse que o esperava, que ia para leste praticar ascese, e que Kenshin esculpisse a árvore num Kannon de mil braços e construísse um templo naquele lugar. Depois desapareceu. Kenshin tomou o sítio por chão sagrado, ficou de guarda à cela e manteve a paz da área. A nascente que achou passou a chamar-se queda de Otowa, e a página diz que a água pura continua a correr.

Dois anos depois, Sakanoue-no-Tamuramaro, que viera caçar cervo, cruzou com Kenshin. Tomou-o por mestre. Com a mulher, Miyoshino Takako, construiu o templo para o Kannon de onze cabeças e mil braços, e deu-lhe o nome Kiyomizu, “água pura”, pela clareza da queda. A nota diz que Kenshin praticava no Kojima-dera, em Nara, e que mais tarde se chamou Enchin. A cidade de Nara é, neste portal, a do salão do Buda. O monge desta página sai de lá. O cervo da caçada é o da página de origem do templo, não o cervo que a matéria de Nara lê na JNTO.

A meio da encosta, escreve o trecho das paisagens, o templo tem cor para cada estação: cerejeira na primavera, verde no verão, folha no outono, neve no inverno. A água que não para muda o cenário a cada momento. A página de perguntas, nas duas línguas, imprime cerca de 1.500 cerejeiras e cerca de 1.000 árvores de folha de outono. A melhor data, dizem as duas, depende do tempo: vê-se no Facebook ou na página de notícias. A página japonesa acrescenta o telefone do escritório do templo, 075-551-1234. A matéria de sakura e hanami lê a flor noutro calendário. O número de árvores deste terreiro é o das duas páginas de perguntas, não o de uma previsão nacional.

O palco, medido duas vezes na mesma página

O palco largo de Kiyomizu, à frente do Salão Principal, é, na página, a estrutura mais renomada do conjunto. O piso, com área de cerca de 200 metros quadrados, foi trocado por mais de 166 tábuas de hinoki, cipreste japonês, numa restauração de doze anos a partir de 2008. A estrutura apoia-se em pilares de mais de 13 metros, medidos desde a fundação. A vista é a cidade de Quioto. “Estar num palco de hinoki” é, na página, a expressão japonesa para entrar na ribalta. A página diz que é incerto se a frase vem deste palco. O que afirma é que o palco serve para dedicar espetáculos ao Kannon nos ofícios.

Mais abaixo, no trecho do salão na encosta, a mesma página descreve outro conjunto de medidas. O Salão Principal foi construído numa encosta íngreme, com pilares e traves que funcionam como andaime e tornam a estrutura resistente a sismo. A varanda, chamada palco de Kiyomizu, tem quase 13 metros de altura, quase um prédio de quatro andares. Apoia-se em 18 pilares de zelkova com mais de 400 anos. O maior tem cerca de 12 metros de altura e dois metros de perímetro. As traves atravessam os pilares e fazem as juntas sem um único prego. O palco atual foi reconstruído em 1633. São três medidas na mesma página: mais de 13 metros nos pilares do trecho do hinoki, quase 13 na altura do palco, cerca de 12 no maior pilar de zelkova. Hinoki é a tábua trocada a partir de 2008. Zelkova é o pilar do palco de 1633.

O ditado que a página traduz é “saltar do palco de Kiyomizu”: uma decisão ousada, como o salto da encosta. A página liga o ditado à fama do palco como construção de vários andares, e diz que o salto com prece ao Kannon já foi costume aceito. O palco foi pensado para artes dedicadas ao Kannon: música de corte, nō, kyōgen, kabuki. A fama é a vista. A intenção é adorar o Kannon do nainaijin de costas para a paisagem. Os espetáculos continuam em ocasiões religiosas.

A seita do norte e o salão em três espaços

O templo é da seita Kita-Hossō. Depois de aberto, adotou a doutrina Hossō, uma das seis seitas do budismo de Nara. No início da época moderna foi templo-filho do Kōfuku-ji, em Nara. Em 1965 tornou-se templo principal da seita Kita-Hossō, fundada por Onishi Ryokei Wajo, então abade. “Kita” é a versão do norte, porque começou em Quioto, ao norte de Nara. A frase que a página lhe atribui é “o budismo deve contribuir para a sociedade”. Ele criou casas para idosos e instituições de crianças, rezou por mortos de desastres e trabalhou na reconstrução. Morreu aos 109 anos. A página não imprime o ano. Chama-o pai da restauração do templo.

O Salão Principal tem telhado de quatro águas, yosemune-zukuri, coberto de casca de hinoki. A página vê nele vestígios de palácios e residências da aristocracia do período Heian. Por dentro, colunas redondas dividem o espaço em três: gejin ou raidō, o santuário exterior; naijin, o interior; nainaijin, o mais interno, onde está a imagem principal. Para adorar o Kannon, caminha-se pelo corredor do lado sul do gejin. Naijin e nainaijin estão em geral fechados. Em ocasiões como o Thousand-day Prayer, o visitante entra no nainaijin e reza diante da estátua.

A cidade em que o templo está é a de Quioto, lida neste portal pela festa de julho e pelo que a rua pede. O outro templo de Quioto com matéria própria é o Kinkaku-ji. A página de história do Kiyomizu não descreve o pavilhão dourado. Descreve Otowa, o palco e a seita. A multa de fumar na rua, que a matéria de Quioto cita para o nome Kiyomizu, é regra de cidade. A regra do terreiro, mais abaixo, é outra: o templo proíbe fumar em todo o recinto e diz que não há área de fumo lá dentro.

O que a JNTO data, e o que o templo data

A página de história do templo imprime 1944 como o ano em que o Kiyomizu-dera entrou na lista da UNESCO, entre os Monumentos Históricos da Antiga Quioto. A página da JNTO sobre esses monumentos imprime 1994 para as dezessete propriedades registradas nesse ano, em Quioto, Uji e Ōtsu. Mais adiante nomeia o Kiyomizu-dera entre os sítios de patrimônio mundial da região, sem repetir o ano nessa frase. O 1944 fica na página do templo. O 1994 fica na página da JNTO.

Horário de 2026, e a página que diz 21:00

A página de localização diz que o templo abre às 6:00 e que a hora de fechar muda com a estação. A tabela de 2026 que essa página carrega abre sempre às 6:00. Fecha às 18:00 de 1 de janeiro a 26 de março, de 6 de abril a 30 de junho, de 1 de setembro a 20 de novembro e em dezembro. Fecha às 18:30 de 1 a 13 de agosto e de 17 a 31 de agosto. Nas três visões noturnas, de 27 de março a 5 de abril, de 14 a 16 de agosto e de 21 a 30 de novembro, fecha às 21:30, com última entrada às 21:00. A página avisa que esses períodos noturnos mudam todos os anos.

Uma página curta, “horário de visita”, resume: abre às 6:00, fecha às 18:00, e em julho e agosto às 18:30. Nas noites especiais de primavera, verão e outono, a recepção termina às 21:00, e a página manda ver o detalhe noutro endereço. Na tabela de 2026, essas noites fecham às 21:30, com última entrada às 21:00. O 21:00 da página curta é fim de recepção. O 21:00 da tabela é última entrada, e o fecho é meia hora depois.

O aviso do Thousand-day Prayer de 2026, com data de 18 de junho de 2026, fala de outra coisa além do portão: a vista especial do nainaijin. De 9 a 16 de agosto, das 9:00 às 17:00, última entrada. De 14 a 16 de agosto, a visita especial da noite vai das 9:00 às 21:00, última entrada. O ingresso desse aviso é 500 ienes para adulto e 200 para aluno do ensino fundamental, elementary e junior high na frase inglesa. Um dia de prece, diz o texto, equivale a mil dias de mérito. O costume enraizou-se com o culto do Kannon. No período, o nainaijin abre de dia e de noite. Esse 21:00 de última entrada é o da vista do santuário interno na noite de 14 a 16, no aviso. A tabela do portão, no mesmo intervalo, fecha às 21:30 com última entrada às 21:00. São duas escalas, publicadas em duas páginas do mesmo templo, para o mesmo trio de dias.

Quem entra, e o que as duas línguas não igualam

O endereço, na página inglesa, é 1-294, Kiyomizu, Higashiyama-ku, Kyoto, 605-0862. A japonesa imprime o mesmo sítio e o telefone 075-551-1234. Há dois caminhos: o Niō-mon no alto da Kiyomizu-zaka, e a estrada de emergência no alto da Chawan-zaka. A página avisa que mapas em linha, e nomeia o Google Maps, podem indicar um caminho que não chega ao terreiro. Não há estacionamento no terreno. Usam-se pátios da cidade ou vagas privadas no pé da subida. Na época cheia, entopem. O conselho é transporte público ou táxi. A página japonesa nomeia o estacionamento turístico Kiyomizu-zaka, telefone 075-561-4601. A inglesa não imprime esse nome.

Da estação JR de Quioto, os ônibus 206 e 100 deixam em Gojōzaka, a dez minutos a pé para leste. O 18 faz o mesmo aos sábados e feriados. Da Keihan Kiyomizu-Gojō são cerca de vinte e cinco minutos a pé. De Kawaramachi e de Gion-Shijō, o 207 e os Keihan 83, 85, 87 e 88 deixam a dez minutos. De Tóquio, o shinkansen leva 2 horas e 15 minutos. De Itami, o ônibus leva 1 hora. Do Kansai, o Haruka leva 1 hora e 20 minutos e o ônibus 1 hora e 30 minutos.

Não há desconto de grupo. Professores em evento oficial não pagam, com identificação. A página japonesa pede também o itinerário. Com o caderno de deficiência, a pessoa e um acompanhante entram sem pagar. A japonesa acrescenta um cartão-postal de ida e volta, cerca de duas semanas antes. A inglesa não descreve o cartão. Cadeira de rodas entra pela Chawan-zaka, com percurso sem degrau. O mapa está no portão Todoroki. Em 2011 o templo recebeu um prêmio do ministério do território pelo desenho sem barreira. Não se emprestam cadeiras. Bicicleta, em regra, não entra: há um espaço junto ao banheiro da entrada de emergência. A rua em frente ao portão principal fecha das 8:00 às 19:00, nas duas línguas.

Foto de grupo de excursão só nas áreas designadas, com licença na sala de foto diante do Niō-mon. A página japonesa imprime o telefone 080-7708-6526 e, no aviso às escolas de junho do ano 6 da era Reiwa, o atendimento das 8:00 às 16:30. A inglesa não imprime o número. O aviso pede voz baixa. O templo é lugar de prece ao Kannon há mais de 1200 anos. A página japonesa inclui na área a praça do Niō-mon e a estrada periférica. Fumar é proibido, sem área de fumo. Animal de estimação não entra, salvo cão de serviço. Drone, monopé, tripé, casamento, cosplay e sessão com modelo estão proibidos. Gravação comercial pede licença. Não se entra no jardim vedado nem se bloqueia o caminho.

A comida é o ponto em que as frases divergem. A inglesa pede que não se coma nem se beba fora dos cafés e das casas de chá. A japonesa proíbe trazer comida, comer andando e comer de pé, com uma exceção: bebida de tampa fechada, garrafa ou cantil. Essa exceção não está na página inglesa. O café como lugar permitido não está nessa frase japonesa. O portão Niō-mon é a entrada da ladeira, não o torii de um jinja.

Fontes

Perguntas frequentes

A que horas o templo abre em 2026?

A tabela de 2026 abre às 6:00 em todos os períodos. Fecha às 18:00 de janeiro a 26 de março, de 6 de abril a 30 de junho, de setembro a 20 de novembro e em dezembro. Fecha às 18:30 de 1 de julho a 13 de agosto e de 17 a 31 de agosto. Nas três noites especiais fecha às 21:30, com última entrada às 21:00. Uma página curta imprime 21:00 como fim de recepção nessas noites.

Qual é o preço do ingresso comum?

As páginas de perguntas, em inglês e em japonês, explicam quem entra sem pagar e dizem que não há desconto de grupo. Não imprimem o valor em ienes do ingresso comum. O aviso do Thousand-day Prayer de 2026, datado de 18 de junho de 2026, imprime 500 ienes para adulto e 200 para o ensino fundamental, só para essa visita.

Em que ano a página de história põe a fundação?

Em 778. A mesma página diz que a história passa de 1250 anos e que a maior parte dos edifícios atuais foi reconstruída em 1633. O palco de hoje, no trecho da encosta, também é datado de 1633.

1944 ou 1994?

A página de história do templo imprime 1944 para o registro na lista da UNESCO, como um dos Monumentos Históricos da Antiga Quioto. A página da JNTO sobre esses monumentos imprime 1994 para as dezessete propriedades registradas nesse ano, e nomeia o Kiyomizu-dera entre os sítios de patrimônio mundial da região. As duas frases ficam como estão.