(Costumes)
Kimono: o waso do relatório e o casual de Edo na revista
O relatório da Agência para Assuntos Culturais define o waso e data o kosode de Edo. A revista, em 2024, chama o quimono de Edo de roupa casual do dia a dia.
Wasou, no relatório de Reiwa 5 da Agência para Assuntos Culturais, é vestir o wafuku, e também a figura de quem está vestido assim. O mesmo relatório segue o kosode pelo período Edo, com sun, shaku e os centímetros que ele próprio põe entre parênteses. A revista da agência, assinada em 27 de agosto de 2024 por Numazawa Yukari, do centro de uso de bens culturais, fala de outra ponta: no período Edo o quimono era roupa casual do dia a dia, vestida com facilidade, e a prova disso, na página, é uma experiência digital no Museu Nacional de Tóquio. Duas páginas da mesma agência. Uma é o relatório. A outra é a revista. Não se medem uma pela outra.
着物
Kimono
O que o relatório chama de waso
A definição abre o capítulo. Wasou é vestir o wafuku, e é a figura vestida de wafuku. Quando, na era Meiji, entra a roupa de tipo euro-americano, youfuku e yousou, a roupa japonesa de antes passa a chamar-se wafuku e wasou. Com isso, kimono, que até ali tinha o sentido largo de coisa de vestir, fixa-se no nagagi, a veste longa, no centro do conjunto. Não há um dia impresso para essa fixação. Há a era.
O nagagi, escreve o relatório, é roupa de corte reto, de tipo folgado, de uma peça, aberta à frente. Veste-se com faixa, roupa de baixo e pequenos acessórios. No traje formal, o homem acrescenta haori e hakama. A mulher também pode usar haori, e em cerimônias pode usar hakama. O calçado nomeado é zori, geta e outros. A faixa segura a sobreposição da frente, regula a largura e o comprimento do corpo da veste, e ao mesmo tempo é enfeite, no nó e no desenho. A forma da faixa difere entre homens e mulheres.
Depois de Meiji a roupa ocidental avança. Até meados de Showa, e o relatório põe entre parênteses por volta da década de 1950, casamentos, funerais e ritos do gênero faziam-se em geral de waso. Os homens usavam-no como roupa de todo dia. As mulheres, sobretudo as casadas, também o vestiam no cotidiano, e o relatório marca essa frase com uma nota. Depois disso, para muita gente, o waso passou a ser coisa de ocasião especial, a começar por aqueles ritos. “Por volta da década de 1950” é o parêntese. Não é um dia.
Noutra camada do mesmo relatório, a síntese do fim, a frase muda de marca. Diz que, a partir da década de 40 de Showa, o fornecimento estável de roupa ocidental fez rarear o waso cotidiano. Década de 1950 e década de 40 de Showa ficam as duas, onde o relatório as pôs. Esta matéria não escolhe uma para corrigir a outra.
O pano de embrulho está na matéria do furoshiki. Essa matéria lê outras páginas, o banho de Edo e o chirimen. Não imprime o nagagi, nem a faixa de 9 sun, nem a década de 1950. Este relatório não ensina o nó do pano.
O Edo do relatório
No começo de Edo, escreve o relatório, a roupa de guerreiros e de cidadãos centra-se no kosode, usado sem distinção de estatuto nem de sexo. A diferença de estatuto passa a estar na matéria e no desenho, não na forma da peça.
Até esse começo, o kosode tem o corpo largo, a manga estreita e a boca da manga pequena. Homens e mulheres vestem-no sem ohashori, em taitake, apertado com uma faixa fina. Depois o corpo estreita, a manga alarga, e nos anos Genroku, 1688–1704, a peça de mulher também alonga o comprimento e aproxima-se da forma do quimono de agora. Dentro de casa a barra arrasta. Fora, arregaça-se ou toma-se a tsuma. Como uma mão ficava ocupada, passou-se a prender a frente com uma faixa fina em forma de cordão, chamada kakae-obi ou shigoki-obi. O relatório diz que esse modo é a origem do ohashori de hoje. E acrescenta que arregaçar a veste já aparece na roupa de viagem de Heian, o tsubo-shozoku, sem continuidade com o ohashori. No fim do xogunato, dobrar a frente mesmo dentro de casa generaliza-se, mas o modo ainda não está fixo: o nó da faixa da cintura pode sair à frente, entre outras variantes.
O furisode, manga pouco cosida ao corpo, era antes de Muromachi um corte de criança. Em Edo passa também ao homem antes do genpuku e à filha solteira. O comprimento do furisode das jovens alonga-se com o tempo, e em meados do século XVIII aparece o ofurisode de mais de 1 metro. Usam-no filhas da casa guerreira de cima e de cidadãos ricos, e também como roupa de festa da filha de cidadãos de camada média. O metro é o que a página imprime. Não se parte em centímetros que ela não escreveu.
A casa guerreira, no mesmo período, recebe regras do xogunato. O traje formal masculino é o kamishimo. O kosode por baixo tem cor e matéria conforme a cena e o estatuto. A roupa da mulher da casa também se regula por estação, estatuto, idade, padrão, e por formal, semi e cotidiano. O haori espalha-se como capa. Kosode com haori e hakama torna-se o cotidiano do guerreiro e o traje formal da gente comum. Há também o kinagashi, só o haori sobre o kosode, como semi-formal privado.
A roupa dos cidadãos tinha a matéria limitada a seda rústica, algodão e linho. Com a riqueza veio o luxo, e uma cultura de vestir própria. Quando correm ouro, bordado, kanoko cerrado e yuzen, saem leis de proibição do luxo, repetidas. A corrente de luxo segue até por volta de Genroku. No Edo tardio entra um clima de sobriedade. Para muita gente comum, quimono novo era luxo: fazia-se em casa, de algodão ou linho, ou comprava-se usado. Pano velho podia ser rasgado e tecido de novo, o saki-ori.
A faixa, até o começo de Edo, tinha 1,5 a 2 sun de largura, e o relatório imprime o parêntese: cerca de 6 a 8 centímetros. Da metade do século XVII a faixa feminina alarga e alonga. No fim desse século chega a 1 jo e 2 shaku, cerca de 4,5 metros, e a 9 sun, cerca de 34 centímetros. Os parênteses são da página. Não se refazem. O nó, no começo, podia ficar à frente, atrás ou ao lado. Com os nós de ator de kabuki, entre eles o Yoshiya-musubi do onnagata Kamimura Kichiya I e o Mizuki-musubi de Mizuki Tatsunosuke, o nó de trás espalha-se. O relatório diz que também aparece um nó do tipo do otaiko-musubi que ainda se faz. A faixa do homem, ao longo de Edo, não muda de largura de modo particular.
O período, noutra leitura, está na matéria do período Edo. Essa matéria lê a biblioteca, não este relatório. Não imprime sun, nem ofurisode, nem a lei de luxo. Os anos Genroku deste capítulo não fecham o período naquela tabela.
A revista, e a prova que não é o relatório
A revista pergunta que imagem a pessoa tem de kimono. Nomeia shichi-go-san, formatura, maioridade, casamento, os momentos que ela chama de marcos. Diz que, como traje tradicional, crescem as lojas de aluguel em ruas que os visitantes de fora procuram, como Asakusa e Quioto. E contrapõe: se se volta ao período Edo, o quimono era roupa casual do cotidiano, que as pessoas vestiam com facilidade. Hoje compra-se pronto na loja. Naquele tempo, essa cultura não existia. A pergunta da página é como se encomendava.
“Com facilidade” é a frase da revista. O relatório, no mesmo período, descreve regra de xogunato, lei de luxo, faixa que ocupa uma mão, e um modo de vestir que no fim do xogunato ainda não está fixo. As duas páginas são da agência. Não se escolhe o casual da revista para apagar a regra, nem a regra para apagar o casual.
A experiência é a mostra “Edo kimono LOOKBOOK”, então em cartaz no Museu Nacional de Tóquio. O texto de Numazawa apresenta três passos. No primeiro, um LOOKBOOK no salão, à imagem dos hinagata-bon, os livros de desenho de quimono publicados em Edo. O exemplo impresso é o Shinsen go-hiinakata, de Kanbun 7, 1667. A página também mostra uma peça feita de verdade, um katabira de cânhamo cor de chá escuro com crisântemo e palmeira, período Edo, século XVII, do Museu Nacional de Quioto, via ColBase. E avisa: essas duas peças reais não estão em exposição no Museu Nacional de Tóquio durante a mostra.
No segundo passo, duas peças do acervo de Tóquio podem ser rearranjadas: o kosode de rinzu preto com ondas e patos-mandarins, e o furisode de chirimen branco com ameixeira, biombo e falcão. Escolhe-se uma. No tablet mudam-se a cor de fundo e a cor de ponto de parte do padrão. No terceiro, a peça vai a um monitor 4K de 86 polegadas. Segue-se o guia, ouvem-se os pontos do padrão e da técnica, e no fim a pessoa pode fotografar com a própria câmera. As 86 polegadas são da página. Não se convertem.
A cidade de Tóquio, neste portal, lê outras páginas. Não imprime esta mostra, nem Kanbun 7, nem o ingresso. O templo de Asakusa está na matéria do Sensō-ji. A revista nomeia Asakusa como rua de aluguel. Não descreve o salão, nem a estátua, nem a rua Nakamise. A cidade de Quioto também não imprime o katabira do museu de Quioto que esta página cita.
O relógio que a revista imprime, e o que ela não imprime
O endereço do museu é Ueno-koen 13-9, Taito, Tóquio, código 110-8712. O telefone de contato, do centro de uso de bens culturais, é 03-5834-2856. A página dá caminhos: a pé, cerca de 10 minutos da saída do parque da estação JR de Ueno, ou da saída sul de Uguisudani; cerca de 15 minutos do metro, das linhas Ginza e Hibiya em Ueno ou da Chiyoda em Nezu, e da Keisei Ueno. Há ainda o ônibus circular de Taito. “Cerca de” fica nas caminhadas. Não é um horário de trem.
A abertura impressa: terça a domingo, 9h30 às 17h, entrada até 30 minutos antes do fecho. Sexta e sábado fecham às 20h. A página avisa que 30 e 31 de agosto não têm abertura noturna. A experiência LOOKBOOK acaba 15 minutos antes do fecho. Fecha à segunda, salvo se a segunda for feriado: nesse caso abre, e fecha no dia útil seguinte. O ingresso da exposição geral é 1.000 ienes para o público geral, 500 para universitários, e gratuito para o ensino médio e abaixo. A mostra vê-se com o ingresso da exposição geral ou com o de uma especial em cartaz, no próprio dia. Estes números são da página de 27 de agosto de 2024. Não são uma tabela de outro ano.
As duas peças digitais teriam o original em sala no outono daquele texto: o kosode de 22 de outubro a 22 de dezembro de 2024, sala 10 do edifício principal; o furisode de 29 de outubro a 8 de dezembro de 2024, sala especial 1. A página imprime as datas. Não diz que a prova virtual continue depois delas.
O relatório não imprime 9h30, nem 1.000 ienes, nem 86 polegadas, nem Kanbun 7. A revista não imprime 1,5 sun, nem o ofurisode de mais de 1 metro, nem a década de 1950, nem a década de 40 de Showa. Quem lê as duas encontra um nome que se fixa em Meiji, um Edo com regra e com a frase do casual, e uma experiência datada de agosto de 2024. Não encontra um modo único de vestir que sirva às duas páginas ao mesmo tempo.
Fontes
- 令和5年度 生活文化調査研究事業(和装)報告書, 文化庁.
- 文化財をバーチャル試着!江戸きものLOOKBOOK, 文化庁, 2024.
Perguntas frequentes
Quando o relatório diz que a palavra waso se fixou?
Com a entrada, na era Meiji, da roupa de tipo euro-americano, chamada de youfuku e yousou. A roupa japonesa de antes passou a chamar-se wafuku e wasou. A palavra kimono, que tinha o sentido largo de 'coisa de vestir', fixou-se no nagagi e no que se veste com ele. O relatório não dá um dia de Meiji para essa troca de nome.
O quimono de Edo era fácil de vestir, como diz a revista?
A revista de 27 de agosto de 2024 escreve que, no período Edo, o quimono era roupa casual do cotidiano, que as pessoas vestiam com facilidade. O relatório, no mesmo período, descreve o kosode sem ohashori no começo, o cinto fino, as regras do xogunato para a casa guerreira e as leis de luxo sobre a roupa dos cidadãos. As duas frases ficam. Uma não corrige a outra.
Que medida de faixa o relatório imprime?
Até o começo de Edo, a largura era de 1,5 a 2 sun, e o relatório põe entre parênteses cerca de 6 a 8 centímetros. No fim do século XVII, o comprimento chega a 1 jo e 2 shaku, cerca de 4,5 metros, e a largura a 9 sun, cerca de 34 centímetros. Os parênteses são da página. A faixa masculina, escreve ela, não mudou de largura de modo particular ao longo de Edo.
A prova virtual da revista ainda está com aquele horário?
A página imprime o horário do museu e o da experiência como estavam na data do texto, 27 de agosto de 2024: de terça a domingo, 9h30 às 17h, com sexta e sábado até as 20h, e a experiência a acabar 15 minutos antes do fecho. Também imprime as datas de outono em que as duas peças reais entrariam em sala. Não diz que o relógio de agosto continue noutro ano.