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Monte Fuji: a altura, o culto e a trilha Yoshida

O Fuji na nota da trilha Yoshida em 2026, no centro do patrimônio em Yamanashi e na nota de 2024 do instituto geográfico.

Nicholas Nishimura 10 min de leitura

Pintura em sumi-e do Fuji com neve acima das nuvens, um torii vermelho e pinheiros.

O Monte Fuji, nesta matéria, é três páginas, e cada uma mede uma coisa. O Instituto de Informação Geoespacial do Japão imprime uma altura e um marco. O sítio oficial de escalada imprime a regra da trilha Yoshida para 2026. O Centro do Patrimônio Mundial do Fujisan, em Yamanashi, imprime o culto e a imagem. Nenhuma das três é um mapa de hotel. Quem leu Tóquio não encontra aqui um bairro da capital. A montanha não é a cidade.

富士山

Fujisan

A montanha. A altura do ponto mais alto, na nota do instituto, continua 3.776 metros. O marco de triangulação é outro número.

Dois números, e um asterisco

O comunicado do instituto é de 24 de dezembro de 2024, às 14h. Anuncia que os resultados de altitude dos pontos de referência do país seriam revistos em 1 de abril do ano 7 da era Reiwa. Como preparação, mediu-se o Fuji. O trabalho de campo foi em 25 de julho do ano 6 da era Reiwa. Mediu-se por nivelamento a diferença de altura entre o ponto de referência eletrónico e o marco de triangulação instalados na montanha, e calculou-se a nova altitude do marco a partir da altitude mais recente do ponto eletrónico, baseada em posicionamento por satélite. O resultado ficou 5 centímetros acima do valor então vigente.

O número impresso para o marco de triangulação de segunda ordem chamado Fujisan é 3.775,56 metros. Entre parênteses, a altitude então vigente: 3.775,51 metros. O asterisco da página diz que o resultado novo ainda não podia ser usado em medição. O ponto mais alto do Fuji, escreve o mesmo texto, está acima do marco medido dessa vez, e a altitude permanece 3.776 metros, sem mudança. Os outros pontos de referência, que não este marco, tinham publicação prevista para 1 de abril do ano 7 da era Reiwa, com detalhe da transição no começo de março desse ano.

O asterisco e a data de abril estão os dois na página. Esta matéria não apaga o asterisco porque o calendário avançou, nem trata os 3.775,56 metros como a altura da montanha. A altura que a página reserva ao ponto mais alto é 3.776 metros. A altura que reserva ao marco é a outra, com o aviso de que, no texto publicado, ainda não servia para medir. O telefone de contato que a nota imprime é o da Divisão de Geodesia, em Tsukuba. Não é o telefone da trilha.

O que o centro de Yamanashi conta do culto

O Centro do Patrimônio Mundial do Fujisan fica em 6663-1 Funatsu, Kawaguchiko, prefeitura de Yamanashi, 401-0301. O telefone é 0555-72-0259. O fax, 0555-72-0211. O horário de abertura que a página imprime é das 9h às 17h. Em julho e agosto, das 8h30 às 18h. De dezembro a fevereiro, das 9h às 16h30. A entrada termina 30 minutos antes do fecho. Esses horários são do centro, em Kawaguchiko. Não são o horário da montanha.

A página do lugar sagrado abre com o medo da erupção, o anseio pela Terra Pura e a esperança de renascimento. Os estilos de culto, escreve ela, variaram: culto à distância, subida de culto e subida de peregrinação. O último registro das erupções frequentes do Fujisan data do século VIII. O estilo de culto nesse tempo era o “culto à distância”, olhando o cume desde o pé. Para rezar ao deus Asama, um deus do fogo, pela paragem das erupções, estabeleceram-se santuários Sengen nas duas províncias do pé da montanha. A página nomeia Kai e Suruga, e imprime a prefeitura de Shizuoka nos dois parênteses. O parêntese fica como a página o imprime. Esta matéria não o reescreve.

Depois de as erupções pararem, as pessoas religiosas conhecidas como shugensha, ascetas da montanha, passaram a considerar o Fujisan o lugar da sua prática ascética, onde deus e Buda residiam. Isso, escreve a página, tornou-se a origem do tohai, a subida de culto. No século XII, Matsudai, que tinha cumprido o tohai mais de cem vezes, fundou o templo Fujisan Kōbōji, na prefeitura de Shizuoka, e começou uma associação religiosa chamada Fuji Shugen, as práticas ascéticas da montanha Fuji. Desde o século XIV, seguidores da fé no Monte Fuji surgiram também entre a gente comum. Chamavam-se dōja, e praticavam ativamente o tohai, aspirando a ir para a Terra Pura depois da morte. Pessoas chamadas oshi, para guiar e cuidar dos dōja, também estavam ativas. No século XVII começou o Fuji-kō, uma associação religiosa que defendia o Fujisan como fonte da vida. Também se espalhou o junpai, a peregrinação aos lugares sagrados na encosta ou no pé do Fujisan.

À medida que a conversão do culto do Fujisan em xintoísmo avançou no século XIX, muitas estátuas de Buda foram retiradas de vários lugares nas áreas da montanha. Ao mesmo tempo, o estilo de culto diversificou-se. Um exemplo que a página dá é que sítios sagrados antes proibidos às mulheres passaram a estar abertos também a mulheres. No século XX, muita gente visitou o Fujisan desde o Japão e do estrangeiro, o que mostra, na frase da página, que o propósito de subir a montanha também se diversificou, incluindo o passeio. Ainda hoje, porém, as pessoas continuam a visitar o Fujisan com os respectivos sentimentos em relação à montanha. A frase não separa o passeio do sentimento numa percentagem. Põe os dois no mesmo parágrafo.

A imagem, sem a altura

A mesma página trata o Fujisan como fonte de inspiração artística. Nomeia literaturas como o Man’yōshū, a antologia de waka do século VIII, e o Taketori monogatari, o conto do cortador de bambu. Desde o século XIV, o Fujisan foi adotado como tema de muitas pinturas. Pintores do período Edo como Katsushika Hokusai e Utagawa Hiroshige criaram muitas ukiyo-e sobre o Fujisan. As imagens, escreve a página, foram muitas vezes usadas como motivos das artes ocidentais nos períodos moderno e contemporâneo. Não só influenciaram obras no Ocidente. Também se enraizaram pelo mundo como ícone do Japão e da sua cultura. Depois de introduzidas no estrangeiro, as imagens destes pintores deram origem a um movimento chamado japonismo, pela composição e pelo modo de expressão. Na segunda metade do século XIX, com o fim da política de isolamento, o Fujisan passou a ser conhecido não só como a montanha que representa o Japão, mas como algo de implicação maior.

A página não imprime a altura. Não imprime 3.776 metros, nem o marco de 3.775,56. A altura fica no comunicado do instituto. A imagem fica no centro. As duas não se corrigem, porque não medem a mesma coisa.

O século VIII desta página é o do último registro de erupção frequente e o do Man’yōshū. O século VIII da matéria de Nara é o da capital e do salão. Não é a mesma frase. Quioto e Hiroshima são outras leituras de destino. Nenhuma delas empresta uma regra de portão a esta montanha.

A trilha Yoshida em 2026

A nota de 13 de março de 2026, no sítio oficial de escalada, trata das restrições na trilha Yoshida. Para uma subida segura, restrições estão em vigor nessa trilha desde 2024. Não há, escreve a nota, mudanças grandes nos regulamentos de 2026 em relação ao ano anterior. A informação mais recente, incluindo reservas de acesso, seria publicada com regularidade no mesmo sítio.

A temporada de escalada impressa para a prefeitura de Yamanashi, trilha Yoshida, é de 1 de julho a 10 de setembro. O começo pode atrasar por condições de tempo ou por neve restante. A taxa de caminhada é 4.000 ienes por pessoa por viagem. O portão fecha das 14h às 3h do dia seguinte. O máximo é 4.000 escaladores por dia. As duas restrições, a do horário do portão e a do máximo, excluem quem fica em cabanas de montanha. Sem o equipamento necessário para a escalada de montanha, não se pode usar a trilha de descida.

Na quinta estação, o equipamento exigido é roupa de inverno, capa de chuva em duas peças e calçado adequado à subida. Há uma verificação. Só passa no portão quem tem todos. Para evitar comportamento perigoso e violações de etiqueta na montanha, pede-se que se sigam as instruções dos instrutores de escalada do Fuji nomeados pela prefeitura. Quem não tem conhecimento ou experiência suficientes de escalada deve ir acompanhado de um guia de montanha ou de um profissional semelhante. A nota recomenda o serviço de reserva antecipada, e diz que a reserva também é possível no próprio dia. As etiquetas de madeira só são distribuídas a quem reserva com antecedência, e a distribuição termina quando a quantidade prevista se esgota.

O contato que a nota imprime é o Grupo de Promoção Turística do Monte Fuji, no Departamento de Turismo, Cultura e Esportes da prefeitura de Yamanashi. O telefone é 055-223-1315. Não é o telefone do centro de Kawaguchiko, nem o da Divisão de Geodesia.

A nota não descreve as outras trilhas. Não imprime o que a quinta estação cobra por um cobertor, nem a hora em que uma cabana serve a refeição, nem uma temperatura no cume. A janela de julho a setembro é a temporada impressa, com a ressalva do atraso por neve. Fora dela, esta página não autoriza a subida. Também não diz, porque não o leu nesta nota, que todas as outras rotas usam o mesmo portão e os mesmos 4.000 ienes. Quem for por outra trilha lê a nota dessa trilha. Esta matéria fica com a Yoshida.

A etiqueta de madeira é outro limite, separado da taxa. Só quem reserva antes a recebe, e só até a quantidade prevista acabar. Reservar no próprio dia continua possível, na frase da nota, mas não garante a etiqueta. A verificação da quinta estação também não é uma sugestão de mochila. São três itens, e a falta de um impede a passagem: roupa de inverno, capa de chuva de duas peças, calçado de subida. Sem o conjunto, a trilha de descida não se usa. O instrutor nomeado pela prefeitura é quem a nota manda seguir, para evitar o gesto perigoso e a quebra de etiqueta. Quem não tem prática suficiente vai com guia ou com outro profissional. A página não define o que conta como prática suficiente. Diz que, na falta dela, a companhia profissional é o pedido.

Osaka publica a comida e o castelo. O onsen publica a água quente de outras vilas, com a ficha de cada uma. Nenhuma das duas páginas está na nota da Yoshida. Não se transporta o pH de uma fonte, nem o preço de um prato de cidade, para o portão das 14h. A montanha, nesta leitura, não fica mais baixa porque a cidade ao lado tem outra matéria.

O que não se transporta de uma página para a outra

O centro abre às 9h, ou às 8h30 em julho e agosto, e fecha a entrada meia hora antes. Isso é a bilheteira de Funatsu. Não é o portão da quinta estação, que a nota de escalada fecha das 14h às 3h para quem não dorme em cabana. Os dois relógios cabem no mesmo verão e não cabem na mesma frase. Um é o museu do patrimônio. O outro é a trilha.

A taxa de 4.000 ienes é a da caminhada na nota de 2026, por pessoa e por viagem. Não é o ingresso do centro, que esta leitura não encontrou impresso na página do culto. O máximo de 4.000 pessoas é o da trilha Yoshida, com a exclusão de quem fica em cabana. Não é um censo da montanha.

O ponto mais alto permanece, na nota do instituto, em 3.776 metros. O marco chamado Fujisan está impresso em 3.775,56, com o asterisco. Subir até “o número” sem dizer qual dos dois é tratar o comunicado como um só algarismo. A página usa dois, e explica a diferença: o marco medido não é o ponto mais alto.

O culto à distância, o tohai de Matsudai, o Fuji-kō e a abertura dos sítios às mulheres são a história que o centro assina. A ukiyo-e de Hokusai e de Hiroshige é a imagem que a mesma página assina, sem lhe pôr metros. A regra de 2026 é a da prefeitura de Yamanashi para uma trilha. Quem chega com a altura de uma, a lenda de outra e o portão da terceira ainda pode visitar a montanha. Precisa é de saber qual frase veio de qual página.

Fontes

Perguntas frequentes

Qual altura a nota do instituto imprime?

O ponto mais alto do Fuji permanece em 3.776 metros, sem mudança. O mesmo comunicado, de 24 de dezembro de 2024, imprime o marco de triangulação de segunda ordem chamado Fujisan em 3.775,56 metros, contra 3.775,51 então vigentes, e avisa que o valor novo ainda não podia ser usado em medição.

A temporada de 2026 vale para todas as trilhas?

A nota oficial que esta matéria lê é a da trilha Yoshida, na prefeitura de Yamanashi. A temporada impressa é de 1 de julho a 10 de setembro, e o começo pode atrasar por tempo ou por neve restante. A nota não transfere essa janela para as outras trilhas.

Quanto é a taxa e quando o portão fecha?

A taxa de caminhada é 4.000 ienes por pessoa por viagem. O portão fecha das 14h às 3h do dia seguinte. O máximo é 4.000 pessoas por dia. Hospedagem em cabana de montanha fica de fora dessas duas restrições, no texto da nota.

O que a quinta estação confere?

Roupa de inverno, capa de chuva em duas peças e calçado adequado à subida. A nota diz que há uma verificação, e que só passa no portão quem tem os três. Sem o equipamento necessário, não se usa a trilha de descida.