(Destinos)

Osaka: a cidade lida pela comida e pelo castelo

Osaka na JNTO e no museu do castelo: duas horas e meia de shinkansen, a chapa, o polvo e a torre refeita em 1931 com doação.

Nicholas Nishimura 9 min de leitura

Pintura em sumi-e do castelo de Osaka sobre a cidade, com uma ponte cheia de gente e o canal.

Osaka, na página da Japan National Tourism Organization, é uma cidade encantadora e relaxada, conhecida sobretudo pela comida, pela diversão e pela vida noturna, com alguma história e alguma cultura aparecendo no meio. Outra linha da mesma página a chama de brilhante, espalhafatosa e brincalhona, com diversão de sobra e pouca pretensão. As duas frases são o cartaz. A matéria de Tóquio leu a capital pelo santuário e pelo templo. A de Quioto leu a outra capital pela festa de julho e pela rua. Esta lê Osaka pelo que a JNTO lista e pelo que o museu do castelo afirma do próprio edifício.

大阪

Ōsaka

A cidade que a JNTO apresenta pela comida e pela noite, e que o museu do castelo apresenta pela torre de 1931.

O superlativo fica com quem o publicou. Quando a JNTO diz que o aeroporto Kansai só encontra rival em Narita, em tamanho e alcance, a frase é dela. Quando o museu diz que a área do castelo é sítio histórico especial, a frase é dele.

O trem que a página mede

Osaka fica a uma viagem curta de shinkansen de Tóquio e, diz a JNTO, tem uma personalidade muito diferente da capital. A frase “curta” não é um relógio. O relógio vem no parágrafo de acesso: do Tóquio, o Tokaido-Sanyo Shinkansen até a estação de Shin-Osaka leva aproximadamente duas horas e meia. De Shin-Osaka, baldeia-se para a linha local da JR até a estação de Osaka. Do aeroporto internacional de Kansai, o KIX, tomam-se as linhas Nankai ou JR até Tennoji ou Namba.

A mesma página trata a cidade como base excelente para o Kansai: Quioto, Nara, Kobe e Wakayama, cada um a cerca de uma hora de trem a partir dos eixos centrais. Ao norte, a estação de Osaka. Ao sul, Namba e Tennoji. A matéria de Quioto, lendo a página de lá, mede outra coisa: Itami a cerca de uma hora e o Kansai a cerca de uma hora e meia, os dois aeroportos na província de Osaka. As duas contas cabem porque medem percursos diferentes. Uma é a hora de trem entre as cidades. A outra é o aeroporto visto de Quioto. Nenhuma das duas é um horário de shinkansen além das duas horas e meia já ditas.

O KIX, ainda na JNTO, é servido por todas as grandes companhias, e há muitos voos diretos entre ele e grandes cidades dos Estados Unidos, da Europa e da Austrália. “Muitos” e “grandes” são o grau da página. A rivalidade com Narita, também. Este texto não acrescenta um ranking de pista.

O mapa que a página nomeia

A JNTO reparte a visita em áreas, sem transformar cada nome num capítulo. Baía de Osaka. Dotonbori e Shinsaibashi. Namba. Tennoji. Osaka norte. O castelo e os arredores. Sakai e Kishiwada. Ikeda. Na lista do que não perder entram as luzes de neon da ponte que a página escreve Dotombori e da área de Minami, o parque do castelo e o parque memorial da Expo ’70, os festivais Tenjin Matsuri, Kishiwada Danjiri e Ebessan, e a comida, em especial em bairros como Tenma e Ura Namba. Os nomes da galeria que a página destaca incluem a torre Tsutenkaku, a rua de Shinsaibashi, o aquário Kaiyukan, Hozenji e Shinsekai. São etiquetas de mapa. A página não entrega, nessas linhas, um preço de ingresso nem um minuto de fila. Esta matéria também não.

O castelo, no texto de abertura da JNTO, é o destaque do lado histórico: um lugar para saber mais da história japonesa e para caminhar no terreno, em especial na temporada de cerejeira em abril, quando a sakura floresce e o tempo, diz a página, costuma estar no melhor. Abril, aí, é a estação que o parágrafo nomeia. Não é uma data de abertura da flor medida por estação meteorológica. A matéria de sakura explica como essa medida se faz. O parágrafo de primavera da própria JNTO, mais adiante, põe o rosa nos parques e nas avenidas e nomeia três pontos: o castelo de Osaka, o parque da margem do Yodogawa e a Casa da Moeda. Fica nisso.

O que se come, com o dono de cada frase

A especialidade antiga que a JNTO descreve com uma data é o iwa okoshi: sopros de milhete confeitados, produzidos em Osaka desde 1185. A página os compara a barras de cereal com oito séculos de história. A data é dela. O modo de fazer não está nessa página. Não se inventa uma receita em cima do ano.

O okonomiyaki, na mesma lista, é uma panqueca salgada de repolho ralado, farinha, ovo e dashi, feita na mesa para o cliente ou deixada para ele mesmo cozinhar. A página diz que a segunda opção é bem mais divertida. Os acompanhamentos comuns que ela lista são porco, camarão, polvo e queijo. Isso é o cartaz da cidade. A ficha com peso, temperatura e minuto está na matéria do okonomiyaki, assinada pelo ministério e pela associação que fornece a receita. As duas descrições não se misturam. A JNTO não dá grama. A ficha não é um guia de bairro.

O takoyaki vem em seguida. Pedaços de polvo com gengibre em conserva e cebolinha, numa massa, grelhados num molde próprio. A esfera fica crocante por fora e macia por dentro. A página o chama de clássico de Osaka, coberto com molho Worcestershire, gengibre e flocos de alga. De novo, a descrição é o anúncio. Não há tempo de cozimento nem caloria nessa linha.

O onigiri não está nessa lista. É o arroz de estação, a refeição de quem baldeia em Shin-Osaka ou espera em Namba. Não é o prato que a JNTO usa para apresentar a cidade. Serve no intervalo, como já serve na matéria de Tóquio, e deixa a chapa e a bolinha de polvo com os parágrafos que as nomeiam. O misoshiru também não é o cartaz. A sopa de pasta tem ficha própria, de outra panela. Pedir os dois no lugar do okonomiyaki é trocar o prato que a página de turismo destacou.

Tenma e Ura Namba ficam como os bairros em que a JNTO manda procurar a comida famosa. Sem cardápio, sem fila, sem “o melhor”. O bairro é o que a frase dá.

A mesma lista de especialidades não para na comida. O sudare de Kongō, a esteira de bambu, é apresentado como anterior ao período Heian (794–1185), usado primeiro no palácio imperial e nas casas de nobres. O de Osaka, diz a página, sai de bambu de qualidade do pé do monte Kongō, ali perto. As lâminas de Sakai, sakai hamono, são forjadas a martelo em Sakai e em Osaka, com técnica tradicional de ferreiro, e a JNTO as destaca pela resistência e pela geometria do fio. São duas linhas de ofício ao lado do milhete e da chapa. Não trazem preço nem endereço de oficina nessa página.

A frase de chegada ainda chama a noite de animada e os moradores de diretos e simpáticos. É o tom do convite, no parágrafo em que o passageiro desce do trem-bala. O tom não mede a cidade. As duas horas e meia medem o trem.

O castelo, na página do museu

O museu da torre, o Osaka-jō tenshukaku, conta outra história, mais longa que o passeio de abril. O castelo tem como antecedente o Ishiyama Honganji do período Sengoku. A página encadeia a guerra de Ishiyama contra Oda Nobunaga, a construção de Toyotomi Hideyoshi, a queda nas campanhas de Osaka, a reconstrução pelo xogunato Tokugawa, o incêndio na turbulência da Restauração Meiji, a jurisdição do exército depois disso e o arranjo do parque no pós-guerra. O castelo, nessa frase, acompanha a história do país até hoje.

O que se pode ver de pedra e de madeira antiga é datado com cuidado. Muralhas, fossos e construções como o portão Ōtemon e as torres Tamon-yagura e Sengan-yagura são, diz a página, todos do período Tokugawa em diante. A área é sítio histórico especial nacional. A maior parte dessas construções antigas é bem cultural importante. A torre de Hideyoshi não é a torre da foto.

A torre principal é a terceira, depois das eras Toyotomi e Tokugawa, refeita em 1931, Shōwa 6, com doações dos cidadãos. A página conta mais de 90 anos dessa reconstrução. Em 1997, Heisei 9, foi registrada como bem cultural tangível nacional. Em 2025, Reiwa 7, foi designada bem cultural tangível da cidade de Osaka. Desde a reconstrução funciona como museu. Guarda peças ligadas a Hideyoshi, ao Sengoku e à história do castelo, e as mostra em rodízio nas salas. O ingresso antecipado, diz a página, pode ser comprado por um site de reserva. O valor não está no trecho que apresenta o edifício. Não se completa a tarifa de memória.

O parque que a JNTO recomenda para a sakura de abril é o chão em volta dessa torre de 1931 e dessas pedras Tokugawa. As duas páginas cabem no mesmo passeio. Uma convida a caminhar na flor. A outra diz de que século é a pedra e de que ano é a torre. Quem fotografa o fosso sem ler o museu leva o cartaz. Quem leu as duas sabe que o fosso não é o de Hideyoshi e que abril, na JNTO, é estação, não boletim de floração.

O ano, em traço largo

A JNTO organiza o resto do calendário por estação, sem o dia do mês. No verão, o calor abafado, o festival que ela chama de o principal de Osaka, o Tenjin Matsuri, as praias do sul da província e fogos de artifício frequentes. No outono, a umidade que cede, a folha vermelha e o desfile da Midosuji, com procissão e bandas na avenida. No inverno, iluminação de fim de ano e a Maratona Internacional Feminina de Osaka, com corredores de vários países. As datas de largada não estão nesses parágrafos. Kishiwada Danjiri e Ebessan aparecem na lista do que não perder, ao lado do Tenjin Matsuri, também sem dia. O festival fica nomeado. O calendário litúrgico de cada um fica com o organizador, que esta página não substitui.

A Expo ’70 entra como o parque memorial, ao lado do parque do castelo, na lista do que não perder. A página não descreve um pavilhão sobrevivente neste trecho. O nome do parque basta.

O que esta leitura recusa é o troféu. Osaka, nas duas fontes, é uma cidade de comida anunciada com três pratos, de trem medido em duas horas e meia e em cerca de uma hora para as cidades vizinhas, e de um castelo cuja torre visível é a de 1931. O neon de Minami, o aquário e a torre Tsutenkaku estão no mapa da JNTO para quem quiser o nome. O passo seguinte, se for a chapa, é a ficha, não o adjetivo “divertida”. Se for o castelo, é a página do museu, não a lenda solta de uma torre única desde o século XVI.

Fontes

Perguntas frequentes

Quanto tempo a JNTO dá de Tóquio a Osaka?

De Tóquio, o Tokaido-Sanyo Shinkansen até Shin-Osaka leva aproximadamente duas horas e meia. De Shin-Osaka, a página manda baldear para a linha local da JR até a estação de Osaka. Não publica um minuto mais curto.

Osaka serve de base para Quioto?

A JNTO diz que sim. Quioto, Nara, Kobe e Wakayama ficam a cerca de uma hora de trem a partir da estação de Osaka, ao norte, ou de Namba e Tennoji, ao sul. A matéria de Quioto, do lado de lá, mede os aeroportos, não esse shinkansen.

O que a página de turismo chama de comida da cidade?

Três nomes com descrição: iwa okoshi, doce de milhete que a JNTO diz produzido em Osaka desde 1185; okonomiyaki, panqueca salgada de repolho, farinha, ovo e dashi; e takoyaki, bolinha de polvo. A ficha de cozinha do okonomiyaki está noutra matéria.

A torre do castelo é a de Hideyoshi?

O museu do castelo diz que a torre que se vê é a terceira, depois das eras Toyotomi e Tokugawa, refeita em 1931 com doações dos cidadãos. Muralha, fosso e construções antigas visíveis são, na mesma página, do período Tokugawa em diante.