(Símbolos)

Kadomatsu: o bambu de Ogawa e o pinheiro de Shintani

Ogawa descreve três bambus de alturas diferentes. Shintani fala do pinheiro por volta de 900. A associação de Tóquio tira o enfeite a 7 de janeiro.

Nicholas Nishimura 10 min de leitura

Pintura em sumi-e de um kadomatsu com três bambus, pinheiro e ameixeira, à porta com shimenawa.

Kadomatsu, na entrevista que Ogawa Naoyuki deu à Highlighting Japan em fevereiro de 2023, é o marco à entrada da casa para receber o Toshigami-sama. Na entrevista de Shintani Takanori, em janeiro de 2025, é a decoração central do Shōgatsu, e a história que ele conta é a do pinheiro. Na página da Associação de Santuários de Tóquio, datada de 22 de maio de 2023, é marco e também yorishiro, o lugar em que o kami se aloja, e a forma comum de agora é três bambus rodeados de pinheiro. Três textos. Nenhum repete o outro por inteiro. O comprimento diferente das hastes está em Ogawa. O dia 7 de janeiro está na associação. O ano de cerca de 900 está em Shintani.

門松

Kadomatsu

Ogawa imprime três hastes de comprimentos diferentes. A associação imprime três bambus e a corda grossa, sem essa frase.

O marco de Ogawa

Ogawa é professor na Faculdade de Letras da Universidade Kokugakuin. A entrevista, conduzida por Sawaji Osamu, pergunta primeiro quando as pessoas sentem que é inverno. Depende da região, diz ele, mas muita gente toma como inverno o período frio entre dezembro e fevereiro. O calendário solar de agora não define o começo e o fim. No calendário antigo, lunissolar, o inverno ia de outubro a dezembro, e a primavera de janeiro a março. Esse inverno antigo corresponde, no calendário de hoje, a cerca do fim de outubro até meados de janeiro. Os vinte e quatro termos solares punham o inverno do ritto, por volta de 7 de novembro, até a véspera do risshun, por volta de 4 de fevereiro. A nota da página diz que o calendário antigo foi usado no Japão até 1872, com cerca de um mês de diferença em relação ao moderno, e ano bissexto de treze meses a cada dois ou três anos. “Por volta” e “cerca” ficam. Não viram dia fixo.

É nesse quadro que ele chega ao Shōgatsu. À entrada de casas, de prédios de apartamentos e de edifícios de empresas, põem-se enfeites, entre eles kadomatsu e shimekazari, para receber o Toshigami-sama, o kami do ano novo que traz felicidade. O kadomatsu funciona como marco para o receber em casa. Em geral, três hastes de bambu de comprimentos diferentes, rodeadas de ramos de pinheiro. Pinheiro e bambu são plantas auspiciosas que representam vida longa.

O shimekazari indica um lugar sagrado para receber o mesmo kami. Há formas várias. Um exemplo é uma corda de palha de arroz com um papel branco e longo, o shide, pendurado. A corda, neste portal, tem matéria própria: o que é shimenawa. O exemplo de Ogawa não esgota a corda, e a corda não é o kadomatsu. São duas peças na mesma frase de entrada.

Algumas pessoas também põem kagami mochi, oferta ao Toshigami-sama. Em geral, dois mochi redondos, secos e duros, empilhados. “Em geral” vale para os dois mochi, como valia para as três hastes. A página não descreve a tangerina que outras fotos de Ano-Novo mostram em cima. Nesta entrevista, o mochi para na pilha de dois.

A queima e a soja, na mesma entrevista

No calendário antigo, a época da lua cheia de 15 de janeiro chamava-se koshōgatsu, o ano novo pequeno. Em aldeias de lavoura e de pesca havia ritos de pesca e de colheita. O tori-oi: crianças vão de casa em casa cantando, para afastar aves que estragam a planta. O mochibana: mochi pequeno, redondo, vermelho e branco, em ramos, tido como parecido com espigas de arroz e casulos de seda. O dondo-yaki: em algumas regiões queimam-se os enfeites do ano novo para afastar o desastre. Diz-se que vem do sagichō, a queima de documentos de rito, a 15 de janeiro, começada na corte no período Heian, que a página data do fim do século VIII ao fim do século XII. “Diz-se” fica nessa origem. Não fica na descrição das três hastes, que Ogawa dá como a forma típica, sem essa ressalva.

O mochi do Shōgatsu, pensa-se, transmite a força do Toshigami-sama a quem o come. O zōni é sopa temperada com shoyu ou missô, com legumes, mochi e outros ingredientes. No kagami-biraki, a 11 de janeiro, embora a data mude conforme a região, o mochi da decoração parte-se e come-se, por exemplo no shiruko, sopa de feijão vermelho cozido e açúcar. O Setsubun, por volta de 3 de fevereiro, véspera da primavera, tem o mamemaki, o lançar de soja, e o eho-maki. A noite da soja tem matéria própria, o Setsubun. “Por volta de 3 de fevereiro” é o limite de Ogawa. Não é o dia único de todas as casas.

A mesma entrevista sai do enfeite e entra no kagura. Há cerca de 4.500 grupos no Japão hoje. Mais de 200 em Miyazaki. Quase 300 em Hiroshima, prefeitura onde, diz a página, o G7 se reuniria em maio daquele ano. “Cerca”, “mais de” e “quase” são os limites. O número de Hiroshima é desta entrevista, não da matéria do parque da cidade, que está em Hiroshima. Ogawa ainda diz que o kagura era sobretudo de inverno, e que se pensa ter origem no mitamafuri da corte, em novembro, a partir do século X. Isso não é instrução de como armar um kadomatsu. É o resto da entrevista, e fica como resto.

O pinheiro de Shintani

Shintani Takanori é folclorista, professor emérito da Graduate University for Advanced Studies e do Museu Nacional de História Japonesa, e antigo professor da pós-graduação da Kokugakuin. A entrevista de janeiro de 2025, por Morohashi Kumiko, trata do sentido do Ano-Novo. O kadomatsu aparece quando a conversa chega aos objetos vistosos. É decoração de importância central, feita para receber o Toshigami. O pinheiro associa-se à boa fortuna: é sempre-verde, parece ter força de vida, e cresce de modo surpreendente a cada ano.

O Kokin Wakashū, que se pensa compilado em 905, tem poemas em que o pinheiro exprime fortuna favorável, na parte Ga no Uta. Daí, escreve ele, pode supor-se que por volta do ano 900 o pinheiro já entrava nos eventos de Shōgatsu, com sentido de celebração e de vida longa. A nota da página diz que a coletânea foi ordenada pelo imperador Daigo, compilada por quatro editores entre eles Ki no Tsurayuki, em 905, com cerca de 1.100 poemas em vinte volumes. “Pensa-se”, “pode supor-se”, “por volta” e “cerca de 1.100” ficam. Shintani não descreve três bambus de comprimentos diferentes. Não descreve corda grossa. O objeto histórico dele, neste trecho, é o pinheiro.

A preparação começa no dia 13 de dezembro do ano velho, o Shōgatsu kotohajime. Cortam-se ramos de pinheiro para o kadomatsu: é o matsu-mukae. Pendura-se o shimekazari, grinalda de corda de palha, que representa a casa que recebe o Toshigami. Bate-se o mochi. A família fica em casa do Ōmisoka, o último dia, até o Gantan, o dia de Ano-Novo, à espera quieta da visita. Noutro ponto, Shintani diz que terminar os preparos por volta de 26 a 28 do mês foi, outrora, o costume. O dia 13 e o intervalo 26–28 estão os dois na entrevista. Não se escolhe um e se apaga o outro.

O biombo de Rakuchū rakugai, versão Uesugi, de 1574, mostra Quioto, então capital, e no canto inferior direito filas de casas com ramos de pinheiro à frente. O crédito da foto é o Museu Uesugi da cidade de Yonezawa. A página diz ramos de pinheiro. Não diz três bambus. A capital desse biombo está na matéria de Quioto. O biombo não é a festa de julho dessa matéria.

Shintani também explica o que o Toshigami trazia além da sorte: mais um ano de idade, o toshidama, no sistema kazoedoshi, até 1873, quando se adotou o calendário ocidental. O bebê já contava um ano ao nascer. A ideia, diz ele, está quase esquecida. O otoshidama em dinheiro, que a criança recebe hoje, é o costume que ele faz derivar dessa palavra. Até 1873, aqui, não é o até 1872 da nota de Ogawa. Uma frase é o fim do calendário lunissolar. A outra é a adoção do calendário ocidental e o fim daquela contagem de idade. Ficam as duas.

O arroz branco cozido no vapor, da véspera aos três primeiros dias, mesmo onde o arroz era escasso e até os anos 1950 se comia mistura de grãos, faz parte dessa conta de idade. Por volta do século XI, no Heian médio, o costume passou ao mochi branco. O zōni do dia de Ano-Novo é, na frase dele, o modo de celebrar o ano a mais. Não é a ficha de sopa deste portal.

Há ainda o que ele separa na origem da cozinha de Ano-Novo. O horai, na região de Kamigata, em torno de Quioto, era decorativo. O kuitsumi, em Edo, a cidade que hoje é Tóquio, era para o visitante provar. A cidade está na matéria de Tóquio. Pinheiro, bambu e ameixeira enfeitavam a bandeja, com arroz, daidai, castanha seca, caqui seco, folha de yuzuri-ha, kombu e lagosta. Isso é a bandeja. Não é o manual das três hastes de Ogawa.

A primeira visita do ano, hatsumōde, leva muita gente ao Meiji Jingū e ao Narita-san. O santuário de Tóquio tem matéria própria, o Meiji Jingū. O costume de ir nos três primeiros dias, escreve Shintani, data só de cerca dos anos 1870 a 1890. “Cerca” fica. A boa fortuna do Toshigami, na frase seguinte dele, era dada por igual a todos, e uma visita quieta fora desses três dias também cabe na entrevista.

O Ano-Novo como palavra de festa, neste portal, está na visão geral de matsuri. Essa matéria não arma kadomatsu. Estas entrevistas não descrevem o mikoshi de bairro.

A forma de agora, na associação

A página da Associação de Santuários de Tóquio, na série de conhecimentos miúdos, responde por que se levanta o kadomatsu. É o marco para convidar o kami daquele ano, e também o yorishiro, o lugar em que o kami se aloja ao descer. No começo, ao que parece, usavam-se sempre-vivas: pinheiro, cedro, shii e sakaki. A certa altura passou a usar-se sobretudo o pinheiro, e daí o nome. “Ao que parece”, ようですが, e “a certa altura”, いつしか, são as ressalvas da página. Não datam a troca.

A forma comum de agora é três bambus rodeados de pinheiro, atados com corda grossa, 荒縄. Não diz que as três hastes têm comprimentos diferentes. Essa frase é de Ogawa. Aqui há três bambus, o pinheiro em volta e a corda. Na direção de Kansai há também ramos pequenos de pinheiro embrulhados em hanshi, com mizuhiki, ou enfeitados com shide, daidai e azevinho. As formas, como enfeite de Ano-Novo, são várias.

Quanto à retirada do kadomatsu e do shimekazari, muitas regiões marcam 7 de janeiro. De 1 a 7 de janeiro, como um corte do mês, diz-se matsu-no-uchi. “Muitas regiões”, 多くの地方, não é o país inteiro. Ogawa não imprime o dia 7. Shintani não imprime o matsu-no-uchi. A queima de 15 de janeiro, com o “diz-se” do sagichō, continua a ser frase de Ogawa. Três prazos possíveis, em três páginas, e nenhum deles apaga os outros.

O que se pode armar, com o que está impresso, é isto. Ogawa: três hastes de comprimentos diferentes, pinheiro em volta, vida longa, à entrada, inclusive de prédio e de empresa, ao lado de um shimekazari que pode ser corda com shide. Shintani: pinheiro já no Shōgatsu por volta de 900, corte de ramos a partir do dia 13, ramos à porta no biombo de 1574. A associação: marco e yorishiro, três bambus, corda grossa, variantes de Kansai, e a retirada em 7 de janeiro em muitas regiões. Onde uma página não chega, a outra não completa a frase por ela.

Fontes

Perguntas frequentes

Os três bambus têm alturas diferentes?

Na entrevista de Ogawa Naoyuki, sim: o kadomatsu é em geral três hastes de bambu de comprimentos diferentes, rodeadas de pinheiro. Na página da Associação de Santuários de Tóquio, a forma comum é três bambus rodeados de pinheiro e atados com corda grossa, sem a frase das alturas. Shintani Takanori fala do corte de ramos de pinheiro, não dos três bambus.

Quando se tira o enfeite?

A página da associação diz que muitas regiões marcam a retirada em 7 de janeiro, e que de 1 a 7 de janeiro é o matsu-no-uchi. “Muitas regiões” é o limite dela. Ogawa não imprime esse dia. Fala da queima, dondo-yaki, que se diz vir do sagichō da corte, a 15 de janeiro, no período Heian.

O calendário antigo acabou em 1872 ou em 1873?

A nota de Ogawa diz que o calendário lunissolar foi usado no Japão até 1872. Shintani diz que, até 1873, quando se adotou o calendário ocidental moderno, vigorava a contagem de idade do kazoedoshi. As duas datas ficam nas duas entrevistas. Esta matéria não as reduz a um ano só.

Kadomatsu é a shimenawa?

Não nesta leitura. Ogawa descreve o kadomatsu como marco para receber o Toshigami-sama, e o shimekazari como outra peça, por exemplo uma corda de palha de arroz com shide. A corda tem matéria própria neste portal. A associação também separa o kadomatsu do shimekazari na hora de falar da retirada.