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Okinawa: a prefeitura mais ao sul em duas páginas da JNTO

A JNTO chama Okinawa de prefeitura mais ao sul e imprime 2026 para o castelo. A página de Naha imprime 2025, 300 mil habitantes e o monotrilho.

Nicholas Nishimura 10 min de leitura

Pintura em sumi-e de uma costa com pinheiros, palmeiras e um torii vermelho sobre a rocha, diante do mar.

Okinawa, na página da Japan National Tourism Organization, é a prefeitura mais ao sul do Japão. É uma cadeia de ilhas, com história de reino independente, clima subtropical e o lugar de nascimento do caratê. A mesma organização tem uma segunda página, Naha e a ilha principal, com população, monotrilho e um prazo de obra que não repete o da primeira. As duas são de turismo. Nenhuma é ficha de cozinha, nem boletim de maré, nem o capítulo de ritos que a enciclopédia trata à parte. O que esta matéria faz é ler o que cada uma imprime.

沖縄

Okinawa

A página da prefeitura imprime 2026 para o fim da obra. A de Naha imprime 2025. As duas ficam.

A prefeitura, na frase de abertura

A página convida a ruínas e castelos restaurados dos reis de Ryukyu, a praias e a uma costa de coral. Nomeia observação de baleias, corridas de barco-dragão, flora e fauna, e um “estado de espírito de ilha” que faz esquecer o relógio e seguir o sol. “Esquecer o relógio” é o convite. A mesma página, mais abaixo, imprime estações. O convite não apaga o calendário.

A prefeitura mais ao norte tem matéria própria, Hokkaido. Esta página chama Okinawa de a mais ao sul. Nenhuma das duas imprime a distância entre elas.

Como a página manda chegar

Do Japão continental, a maior parte dos voos para o aeroporto de Naha sai de Tóquio ou de Osaka. As duas cidades têm matéria própria: Tóquio e Osaka. A página não imprime o minuto desse voo. De China, Coreia do Sul, Singapura, Taiwan ou Hong Kong, há voo internacional direto.

Há voos frequentes, todos os dias, de Tóquio a Naha, na ilha principal, e voos diretos para Ishigaki. Para Miyako há direto sazonal. De Naha saem conexões para Miyako, Ishigaki, Yonaguni e Kume. A página não diz qual desses voos é diário além do trecho Tóquio–Naha, que ela marca como frequente e diário. O direto de Ishigaki fica na frase dele, sem o adjetivo “diário”. O de Miyako fica com “sazonal”.

Para circular, a página recomenda carro alugado, ou bicicleta ou scooter em algumas áreas. Quem prefere transporte público tem um monotrilho do aeroporto de Naha, por Naha, até a antiga capital, Shuri. Há ônibus abrangente na ilha principal, e ferry entre ilhas próximas. Não há preço de passagem nem nome de linha nesta página.

A página de Naha repete o aeroporto como porta e acrescenta o que a outra não mede. A cidade fica a 15 minutos de carro do aeroporto, ou a algumas paradas de monotrilho. “Algumas” não é um número de estações. O quarto de hora é de carro, na cidade, depois de se ter chegado. Não se cola a um voo sem minuto.

O monotrilho urbano, Yui Rail, é, na página de Naha, o único transporte público sobre trilhos de Okinawa, e liga o aeroporto ao centro e a Shuri. Há linhas de ônibus, e ônibus expresso para fora da cidade. Táxi é o modo privado. Carro alugado existe no aeroporto e no centro, e pode sair mais em conta do que o táxi conforme a distância e o tempo. A página não imprime a tarifa que tornaria essa frase uma conta.

O castelo, com dois prazos

Na lista do que não perder, a página da prefeitura põe sítios do patrimônio mundial na ilha principal, entre eles o castelo de Shuri e as ruínas da área de Tamagusuku. O castelo foi destruído por incêndio em 2019. O visitante pode ver a reconstrução até a conclusão em 2026. Baleias-tubarão e a vida marinha do aquário Churaumi entram na mesma lista, com praias de areia branca e a natureza de Yanbaru e da ilha de Iriomote, as duas patrimônio natural mundial. A página não dá a medida do castelo, nem a profundidade do aquário, nem o ano em que Yanbaru e Iriomote entraram na lista. Imprime o estatuto e o nome.

A página de Naha, no que não perder, diz o castelo de Shuri “atualmente em restauro”, a rua Kokusai-dori e o santuário Naminouegu, “o primeiro santuário do Reino de Ryukyu”. A grafia Naminouegu é a da página. Mais adiante ela conta a história do palácio: sede do reino do século XV até o domínio japonês no século XIX. Queimou cinco vezes e foi reconstruído de cada vez. Em 2019, um incêndio destruiu o castelo. A reconstrução está marcada para terminar em 2025. Quem visita agora pode ver e ouvir a obra.

2026 é a frase da página da prefeitura. 2025 é a frase da página de Naha. “Ver a reconstrução até a conclusão” e “ver e ouvir a obra” também não são a mesma sentença. Esta matéria não escolhe o ano, nem transforma os cinco incêndios num calendário de datas, porque a página só data o de 2019.

O santuário Naminouegu, ainda na página de Naha, é lugar sagrado da religião das ilhas de Ryukyu desde a primeira construção, “há muito”. Queimou na Segunda Guerra e foi restaurado no esplendor original nos anos 1990. Fica a 15 minutos a pé da parada de monotrilho Asahibashi. Esse quarto de hora é a pé, dessa parada. Não é o quarto de hora de carro desde o aeroporto.

Kokusai-dori, ou International Street, corre por quase dois quilômetros, que a página também glosa como uma milha, no centro de Naha. Galerias cobertas saem dela, com banca de produto local e artesanato. Aos domingos sem trânsito há artistas de rua. “Quase dois quilômetros” fica com o “quase”.

O que a página de Naha diz do reino e da cidade

Naha é, de longe, a maior cidade. Abriga cerca de 21 por cento dos moradores da ilha principal. Nos fatos rápidos, a população de Naha é 300.000. Okinawa é feita de centenas de ilhas, e a ilha principal é maior do que todas as outras juntas. O governo da prefeitura foi estabelecido em Naha em 1879, com a abolição dos domínios feudais. Shuri hoje faz parte da cidade moderna de Naha.

O reino independente durou, na frase dela, até 1609, quando passou ao domínio de Satsuma, província no sul do Japão. O comodoro Matthew Perry atracou no porto de Naha em 1852, antes da chegada a Edo, hoje Tóquio, no ano seguinte, quando o Japão se abriu depois de séculos de isolamento. Naha tornou-se a capital em 1879 e mais tarde absorveu Shuri. O porto já comerciava com a Coreia e com o Japão continental pelo menos desde o século XI. As ilhas só se tornaram parte do Japão em 1879. Depois da Segunda Guerra foram ocupadas pelos Estados Unidos e devolvidas ao Japão em 1972.

1879 aparece três vezes, em três ofícios: governo da prefeitura com o fim dos domínios, capital, e entrada no Japão. A página não diz que as três frases são o mesmo ato. Esta matéria também não as funde num único decreto. 1609 é Satsuma. 1972 é a devolução. O século XI é o comércio do porto, “pelo menos desde”. Perry é 1852 no porto, e o ano seguinte em Edo. A página de Tóquio deste portal não é citada por ela, e esta matéria não lhe empresta um cais.

O jardim Fukushuen, em Naha, é o trecho em que a página fala da influência Ming: o reino foi estado vassalo, os materiais vieram de Fuzhou, e os projetistas também. Os efeitos de vista e de som, escreve ela, diferem com sutileza dos de um jardim japonês. Não há área em metros.

Shikinaen, não longe do castelo, era retiro da família real. Tem lago circular com várias ilhas, pontes de pedra, palácio de madeira, observatório, plantação de banana e uma nascente de água doce. Dignitários estrangeiros vinham com regularidade. A página não data a primeira visita.

O calor entra no conselho de época da página de Naha, não na da prefeitura. O verão pode ser muito quente. Água e proteção solar, de março a outubro. Planos com cautela na estação chuvosa, do fim de maio ao começo de junho, e em setembro, quando os tufões atingem as ilhas com frequência. Primavera e outono são os meses ideais para sol, mar e praia, e convém evitar a Golden Week, primeira semana de maio. “Primeira semana” é o limite que ela dá. Não lista os feriados um a um.

O ano, em duas páginas

A primavera, na página da prefeitura, chega cedo. A cerejeira floresce no fim de janeiro e em fevereiro. Azaleias, íris, lírios e hortênsias vêm em abril e maio. O começo da primavera é também a melhor época para ver baleias ao largo da ilha de Zamami. A flor, com as normais da agência meteorológica, está na matéria de sakura e hanami. Essa matéria lê outra fonte. Esta página imprime “fim de janeiro e fevereiro”. Não se troca um relógio pelo outro.

O verão subtropical vai de junho a outubro: caminhada em cachoeira, praia, coral, mangue. A página imprime o verbo “snorkeingling”, e também mergulho e caiaque. A grafia fica como está. Não vira um segundo esporte.

No outono, a umidade cai depois dos tufões do começo da estação, e ainda dá para areia e mar. A página nomeia o festival do cabo de guerra gigante de Naha e o festival do castelo de Shuri. Não imprime o dia. A visão geral da palavra matsuri, e a seção de ritos em Okinawa e Amami que uma enciclopédia trata à parte, estão na matéria de matsuri. Esses dois festivais de outono não estão descritos nessa seção. São nomes da página de turismo.

O inverno é “uns confortáveis 15°C”. Dá para mergulhar em dezembro. Janeiro traz a temporada de baleias. A caminhada do cabo Manza e os festivais de iluminação na época de fim de ano fecham a estação. A baleia de janeiro, nesta página, não é a mesma frase da baleia do começo da primavera ao largo de Zamami. As duas ficam. 15°C é o ar que a página chama de confortável. Não é temperatura de água.

O que a página põe na mesa e na loja

Awamori é o licor próprio de Okinawa, de arroz indica de grão longo, envelhecido em potes de barro. Serve-se sobretudo com água e gelo, e também puro. A matéria-prima continua a amadurecer, e aroma e gosto ficam mais suaves. O que passou de três anos chama-se kusu. A página não imprime o teor alcoólico.

Os têxteis: mais de dez técnicas de tingimento e tecelagem. Rami, algodão e seda. Kasuri e hanaori. Cada zona tem o seu. Bingata, no sul da ilha principal, é a cor viva. Miyako e Yaeyama fazem jofu de rami com ikat. Kumejima faz tsumugi de seda. No Reino de Ryukyu, do século XV ao XIX, o “pano de tributo” ia das ilhas exteriores, entre elas Miyako, Yaeyama e Kume, ao governo, como imposto, e também servia ao comércio com outros reinos. A página diz que Okinawa é hoje um dos maiores produtores desses tecidos no Japão. “Um dos maiores” não é uma tabela.

O açúcar mascavo da cana local come-se em pedaços, no chá. Shiquasa é a grafia da página para o cítrico que ela chama de resposta de Okinawa ao limão: vitamina C, ácido, sobre peixe grelhado, em batido e em coquetel de awamori. Não há miligrama da vitamina.

Goya chanpuru mistura o melão amargo, que cru pode ser excessivo, com ovo, tofu e Spam. Spam é a palavra impressa. Soki soba leva costela de porco cozida em awamori, que a página glosa como um tipo forte de shochu, com shoyu e açúcar, em sopa de macarrão, com cebolinha e gengibre em conserva. A frase dela é “chame de ramen dos trópicos”. A ficha de casa do ramen está na matéria do ramen. Não é esta página, e esta página não dá xícara nem minuto.

O vidro de Ryukyu, em cor viva, existe desde o século XIX. Os vidreiros usaram primeiro cacos de navios estrangeiros e garrafas de saquê e de shoyu. A página liga as cores ao mar, ao nascer do sol, e a três valores: não desperdiçar, adaptar-se, prezar a imperfeição. O sanshin tem braço longo, três cordas, parece um banjo, já foi coberto de pele de cobra, e os instrumentos mais novos usam nylon.

Duas páginas, então. Uma tem o sul, o caratê, o patrimônio, o aquário, as estações e a loja. A outra tem Naha, o quarto de hora, os 300.000, o reino até 1609 e o prazo de 2025. Onde elas não dizem o mesmo, a frase fica na página que a imprimiu.

Fontes

Perguntas frequentes

Quando a página diz que o castelo fica pronto?

A página da prefeitura diz que o incêndio foi em 2019 e que a visita acompanha a reconstrução até a conclusão em 2026. A página de Naha, no trecho do castelo, diz que a reconstrução está marcada para 2025 e que dá para ver e ouvir a obra. As duas frases ficam. Esta matéria não escolhe um ano.

Naha tem 300 mil habitantes ou 21 por cento da ilha?

A página de Naha imprime as duas coisas, em lugares diferentes: cerca de 21 por cento dos moradores da ilha principal, e, nos fatos rápidos, população de 300.000. Não publica a conta que ligaria uma cifra à outra. Esta matéria também não faz essa conta.

Quanto tempo leva do aeroporto ao centro?

A página de Naha imprime 15 minutos de carro, ou algumas paradas de monotrilho. A página da prefeitura não imprime a duração do voo desde Tóquio ou Osaka. Não se soma o quarto de hora ao voo, porque o voo não tem minuto nesta fonte.

A página dá a temperatura do mar?

Não. O inverno, na página da prefeitura, é “uns confortáveis 15°C”. O mergulho em dezembro e a observação de baleias em janeiro estão nomeados, sem grau da água. A página de Naha pede água e proteção solar de março a outubro, e cautela na chuva do fim de maio ao começo de junho e nos tufões de setembro.